//FERNANDO PESCIOTTA// Traições, rejeição e seu voto



Ao ser sabatinado na CCJ do Senado, Jorge Messias, o indicado pelo presidente Lula para uma vaga no STF, defendeu mudanças no Judiciário, condenou o aborto e enalteceu Deus.

Além de conhecedor das leis e da Constituição, Messias é evangélico. Daí a dúvida se ele adotou um discurso conservador sincero ou fez uma cena para agradar aos atrasados do Senado.

A partir das declarações de Messias, vi gente torcendo por sua rejeição, que acabou ocorrendo no plenário do Senado, um fato histórico e que motiva uma enxurrada de “análises” catastrofistas para Lula.

A derrota de Lula é fruto da traição alimentada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que se aliou aos golpistas e passou o dia telefonando para senadores pedindo voto contra a indicação.

Em troca, prometeu um monte de coisas que resultarão em novas desgraças para o País.

Acho que Lula errou na escolha. O momento de sensibilidades impunha a indicação de alguém menos carimbado, talvez um personagem com apelo de gênero ou cor da pele, que levasse a discussão para outro viés.

A despeito disso, porém, o caso escancara um Congresso repleto de gente sem ética, sem caráter e sem nenhuma preocupação com o Brasil e sua gente. São golpistas e criminosos preocupados exclusivamente com sua conta bancária e seus esquemas heterodoxos.

É mais um triste capítulo de uma novela que só terá fim quando o eleitor tiver outro olhar para o voto proporcional.

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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

Comentários

  1. Sabatinar um candidato ao STF é algo surreal. Deveria ser uma indicação do presidente ou que seus sabatinadores tivessem ficha limpa.
    Muitos que o estavam a sabatinar tem algum processo na justiça e, para tal, seria bom que só os que estivessem em dia com suas obrigações morais pudessem faze-la.
    Infelizmente os 06 anos de Temer e Bolsonaro, colocaram inúmeros bandidos do agro, das milícias, das bets e do narcotráfico no congresso.
    Esperar do eleitor, que faça sua parte com ética e consciência, está cada vez mais difícil.
    E são justamente eles que mais precisam de um Estado justo.
    Um exemplo são os bad Boys e bad Girls que fazem propaganda dos jogos de cassino eletrônico. São pessoas que já tiveram sua glória, foram adorados por muitos e agora emprestam suas imagens para ferrar o povo.
    Que se faça uma reflexão.

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