O juiz Carlos Eduardo Silos de Araújo, da 2ª Vara de Serra Negra, condenou um padre a seis anos de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de violação sexual mediante fraude contra um adolescente de 14 anos. A decisão foi divulgada pelo Ministério Público de São Paulo na quinta-feira (30). O nome do padre não pode ser divulgado porque o processo está sob segredo de Justiça.
Segundo a denúncia apresentada pelo promotor de Justiça Gustavo Roberto Chaim Pozzebon, os abusos ocorreram de forma continuada entre 2014 e 2016, nas cidades de Serra Negra e Guarulhos. O sacerdote teria se aproximado do jovem ao convidá-lo para ser coroinha e, percebendo seu interesse pela vida religiosa, passou a estabelecer uma relação de confiança e dependência emocional, oferecendo presentes e convites frequentes para atividades fora do convívio familiar.
De acordo com a Promotoria, essa proximidade permitiu a prática reiterada de atos libidinosos em ambientes privados, como a casa paroquial e a residência de familiares. A sentença destacou que as condutas eram realizadas de forma velada, com estratégias para evitar suspeitas e dificultar a reação da vítima.
Em nota, a defesa reafirmou a inocência do clérigo e informou que recorrerá da decisão. “Agora em segunda instância, [a Justiça] vai reanalisar as provas que certamente conduzirão à reforma da sentença e sua absolvição”, declarou.
A Diocese de Amparo também se manifestou. O bispo diocesano Dom Luiz Gonzaga Fechio afirmou em nota que foi realizada uma investigação canônica, com conclusão diversa da decisão judicial, e que medidas pastorais poderão ser adotadas oportunamente. A nota reforça o compromisso da Igreja com a transparência, a ética e a proteção da dignidade humana, pedindo orações por todos os envolvidos.

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