//FERNANDO PESCIOTTA// Sinal global



Neste domingo (12) ocorreu uma das mais importantes eleições do mundo neste ano. Após 16 anos, os húngaros enxotaram o extremista de direita Viktor Orbán do poder, num pleito cheio de significados globalmente.

O povo húngaro parece ter se cansado da orgia de Orbán. Enquanto o custo de vida esmagava as pessoas, o entorno do ditador ficava cada vez mais rico. Parecia o Brasil da gestão passada.

“Irmão” de Jair Bolsonaro, Orbán era o maior aliado de Vladimir Putin na Europa e jogava a favor da separação da União Europeia. Entrou naquela bobagem direitista de combater o multilateralismo.

Nos últimos dias antes das eleições, Orbán recebeu o reforço de Donald Trump. O ditador laranja disse que aumentaria os investimentos na Hungria se o extremista vencesse a eleição.

O resultado foi um desastre para a extrema-direita global, para Putin e para Trump. O partido de Orbán fez apenas 55 cadeiras no Parlamento. Liderado por Péter Magyar, o Tisza conseguiu eleger 138 deputados.

Com dois terços do Congresso, Magyar, de 45 anos, poderá reformar a constituição sem precisar negociar com outras legendas. A multidão que ouvia seu discurso de vitória em Budapeste gritava “fora Rússia”.

A derrota de Orbán significa a vitória da Europa unificada e da democracia. Que sirva de exemplo à mídia e certas repúblicas que insistem em flertar com o fascismo.

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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

Comentários

  1. Uma nova interpretação, a luz da realidade. Trump ao ameaçar deixar a OTAN, deixaria órfãos os países capitalistas da Europa ocidental, que viveram décadas sob a proteção do guarda-chuva das armas norte-americanas.
    Sendo assim, Trump pediu para que os países da Europa gostassem mais 5% do seu PIB na defesa nacional om compra de armas.
    A crise econômica em que vive a Europa atrelada a dependência energética dessas nações levou alguns países a questionar as sanções sobre o gás russo e a defender um alinhamento com a Rússia. Aí entram a Hungria e a Eslováquia, tais países se recusam a gastar em armas e comprar o GLP dis EUA, muito mais caro e de logística complicada.
    A russofobia implantada pela Otan fez a mídia ocidental jogar suas cartas contra Orban, pelo seu posicionamento de comprar o gás russo, mais barato e fornecido por gasoduto, logística segura. Assim a eleição, com apoio da mídia da Otan, fará um enquadramento dos húngaros à política bélica pro EUA. E a crescer a tensão na Ucrânia.

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