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A visão extremamente conservadora do Banco Central e da Faria Lima, com a qual a maioria dos economistas do mercado concorda, está fazendo um estrago na economia brasileira, com consequência direta na atividade.
Essa lógica de que o governo “gasta demais” e por isso tem inflação e, portanto, é preciso elevar a taxa de juros, faz as pessoas passarem por dificuldades desnecessárias.
Todo idiota que repete esse discurso é incapaz de apontar onde estão os gastos do governo. Porque, em primeiro lugar, não são gastos, mas investimentos. Em segundo lugar, quem gasta desnecessariamente é o Congresso, no topo do ranking, e o Judiciário, com mordomias e benesses salariais absurdas.
Há, ainda, o peso político. Quando se trata de gestão de esquerda, tudo fica errado e alguns quesitos ganham dimensão galática. Para se ter uma ideia, o presidente Lula está entregando uma inflação média de 4,5% ao ano. A menor média anual das últimas décadas foi da (indi)gestão Michel Temer, com 4,3%. Ou seja, um queridinho do mercado entregou praticamente a mesma coisa e ninguém criticou.
Sob Paulo Guedes, outro queridinho da Faria Lima, chegamos a ter 10% de inflação em um ano (2021), sob aplausos. A média do medíocre foi 6,16%.
São esses vieses e conservadorismos que levaram os juros à estratosfera, e seus efeitos estão aí. O PIB desacelerou para 0,1% no terceiro trimestre, com menor evolução do consumo das famílias mesmo com o nível de emprego em níveis recordes.
Essa desaceleração ao menos serve para evidenciar a perversidade dos juros básicos e forçar sua queda no começo de 2026.
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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com
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