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O evento “Serra Negra discute meio ambiente e reciclagem”, realizado no dia 16 de maio na Câmara Municipal, reuniu especialistas, autoridades, ambientalistas e representantes dos catadores de recicláveis para debater os desafios e as soluções para a política de resíduos sólidos no município. A iniciativa foi promovida pela Casa da Cultura Dalmo Dallari, Viva! Serra Negra e PT de Serra Negra.
Durante o encontro, o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Vanderlei Lona, anunciou a instalação de dois ecopontos nos bairros Nova Serra Negra e Jardim Parque das Palmeiras, além da construção de uma central de resíduos no Bairro dos Leais para armazenamento, triagem e tratamento de materiais coletados em Serra Negra e Monte Alegre do Sul. Os investimentos, financiados com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), devem ser concluídos em até dois anos.
Segundo o secretário, a prefeitura intensificou desde 2023 as ações de coleta seletiva e reciclagem, mas o índice de reaproveitamento de resíduos ainda está abaixo da média nacional. Entre as medidas em implantação estão os programas Moeda Verde, que permitirá a troca de recicláveis por alimentos, e o Imposto Verde, que prevê incentivos fiscais para moradores que adotarem práticas sustentáveis.
A superintendente do Consórcio Intermunicipal de Saneamento Básico da Região do Circuito das Águas (Cisbra), Sandra Cristina Dimis Santos, destacou que o consórcio recebeu R$ 46 milhões do governo federal para modernizar o sistema regional de coleta e destinação de resíduos sólidos. O projeto prevê a ampliação da coleta seletiva, criação de ecopontos e implantação de uma central municipal de reaproveitamento de resíduos, com foco na economia circular e na redução do volume destinado aos aterros sanitários.
Especialistas presentes defenderam maior participação popular e melhorias na comunicação do poder público.
O integrante do Conselho Municipal de Meio Ambiente Bernard Griesinger, afirmou que a falta de credibilidade e informação prejudica a adesão da população à coleta seletiva. Ele também defendeu a criação de uma cooperativa de catadores para fortalecer e profissionalizar os trabalhadores do setor.
A servidora pública Sonia Maria Honorio, representante dos catadores de recicláveis, relatou as dificuldades enfrentadas pela categoria, como preconceito, baixa renda, falta de orientação técnica e ausência de locais adequados para descarte de alguns materiais. Segundo ela, a mistura entre lixo orgânico e reciclável compromete o trabalho dos coletores e aumenta os riscos de acidentes e doenças.
A ativista ambiental Iza Noemi Bordotti chamou atenção para o descarte irregular de lixo em pontos turísticos, especialmente no Alto da Serra. Ela defendeu a aplicação de multas para turistas e moradores que descartarem resíduos em áreas naturais e alertou para os impactos ambientais causados pela poluição de rios e áreas de preservação.
Os participantes do debate concordaram que o sucesso das políticas de reciclagem dependerá da conscientização da população, da ampliação da coleta seletiva e da integração entre poder público, entidades regionais e trabalhadores da reciclagem.
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