//FERNANDO PESCIOTTA// Reacionário



Dono de uma rede de escolas particulares com faturamento anual de R$ 500 milhões, o empresário Tallis Gomes é um fenômeno: aos 38 anos de idade, já é um velho reacionário. É um grande exemplo do perigo das redes privadas de ensino e o que elas podem fazer com nossos jovens.

Em recente entrevista, Gomes disse não saber se o Brasil é uma democracia. A bobagem foi dita num contexto perigoso. Ele revelou ter pedido à área de recursos humanos de sua empresa para vasculhar as redes sociais de seus 400 funcionários para demitir quem eventualmente tivesse comemorado a morte do nazista norte-americano Charlie Kirk.

Gomes recorreu a uma ladainha moralista religiosa para contornar a verdadeira razão de sua ira, que é uma posição de extrema-direita reacionária. Ignora por completo discursos anteriores, repetidos à exaustão por seus colegas ideológicos, da libertinagem de expressão. Aquela tal liberdade de expressão só vale para as mentiras e fake news que eles contam.

Segundo o empresário de ideias velhas, o Brasil “está indo para um lugar perigoso”. Sabe-se lá por quê.

No ano passado, Gomes foi obrigado a deixar o cargo de CEO de sua própria empresa após dizer que mulheres não deveriam ter posição de comando de empresas. A repercussão da fala sexista e preconceituosa o forçou a passar o comando a uma mulher.

Antes disso, Gomes disse que “não contrataria esquerdistas”, exaltou jornadas de trabalho de até 80 horas semanais e defendeu que trabalho remoto deveria ocorrer apenas nos fins de semana.

O Brasil não precisa desse tipo de empresário. Muito menos no setor educacional.

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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com


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