As metas de ações na área da saúde com pior desempenho em Serra Negra são as destinadas à população mais vulnerável, como moradores em situação de rua, residentes das áreas rurais, pessoas do grupo LGBTQIAPN+, além de mulheres de baixa renda.
Praticamente todas as metas para a melhoria do atendimento a essas parcelas da população da cidade foram descumpridas no ano passado, segundo o Relatório Anual de Gestão (RAG) 2025, do Ministério da Saúde, no qual a prefeitura presta contas dos resultados alcançados na execução dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os indicadores de desemprenho que medem o cumprimento das ações dirigidas aos grupos específicos (vulneráveis) tiveram como resultado porcentual zero. Um desses indicadores é o que propõe como meta prioritária reduzir e prevenir os agravos em saúde dos moradores vulneráveis.
Apenas duas metas foram cumpridas de forma integral: oferecer melhor acesso aos usuários para habilitação e reabilitação de qualidade e a contratação de três novos médicos especialistas.
Uma das ações importantes para garantir o princípio da equidade e justiça social, ou seja, igualdade no atendimento SUS, que é reduzir o tempo de espera dos grupos específicos para o acesso a serviços da atenção especializada - diagnósticos, tratamentos e procedimentos de maior complexidade - também teve 0% de sua meta cumprida.
A Secretaria Municipal de Saúde apresentou o Relatório Anual de Gestão da Saúde na reunião do Conselho Municipal de Saúde do mês de março, mas esses detalhes do documento não foram explicados nem detalhados aos integrantes do órgão para informar como a pasta pretende melhorar esses indicadores.
Vulnerável sem medicação
Quando estava finalizando a reportagem, o Viva! Serra Negra recebeu uma denúncia de um morador que demonstra a precariedade do atendimento a essa população. Paciente do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que faz tratamento para o transtorno de dependência do álcool e com tendências suicidas, ele não consegue obter a medicação necessária para sua terapia.
O médico que o atendia não incluiu a medicação em seu prontuário. O paciente terá de esperar por uma consulta até o fim do mês com o novo médico na Unidade Básica de Saúde do bairro do Refúgio para que a medicação seja prescrita. “O problema é que só tenho mais dez comprimidos e vou ficar 20 dias sem a medicação”, disse o paciente.
Ele disse ainda que tem tentado obter a medicação no CAPS e também na Secretaria Municipal de Saúde, onde foi informado de que o órgão não pode interferir nas decisões do CAPS. “Mas o CAPS não resolve e estou tentando resolver o problema com meus esforços sem forças sequer para levantar da cama.” Segundo ele, muitos outros pacientes estão na mesma situação.
-------------------
Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

Triste, muito triste. E revoltante.
ResponderExcluir