| Sonia Maria Honorio: desinformação sobre como separar os materiais recicláveis e a importância dessa separação dificulta o trabalho dos coletores |
O catador de recicláveis é tratado com preconceito em Serra Negra. A maioria desses trabalhadores tem pouco estudo, nenhuma formação profissional, é formada por aposentados e a sua renda é insuficiente para a sua subsistência e a da família.
O depoimento é da servidora pública Sonia Maria Honorio, que no evento “Serra Negra discute reciclagem e meio ambiente”, representou a categoria do marido, coletador de recicláveis na cidade. O evento, realizado no dia 16 de maio, na Câmara Municipal de Serra Negra, foi organizado pela Casa da Cultura Dalmo Dallari, Viva! Serra Negra e PT de Serra Negra.
“O catador vai buscar sua renda ou acréscimo à sua renda“, explicou Sonia, representante no debate do marido aposentado, que se dedica ao ofício para complementar a renda. Assim como o marido, a maior parte dos coletores tem pouco estudo e dificuldade para expressar suas opiniões e se manifestar. Alguns deles são pessoas em situação de rua.
Os catadores sofrem preconceito, explicou Sonia, por parte da população, entre os quais comerciantes que desconhecem a atividade desses trabalhadores e a importância desses profissionais e da reciclagem para o desenvolvimento socioeconômico do município.
Quem tem conhecimento, como empresários e supermercadistas que vendem ou entregam seus materiais recicláveis para os catadores, respeita esses profissionais e procura remunerar de forma justa os resíduos sólidos descartados.
“A maior parte dos comerciantes, supermercados e pequenas empresas da cidade aprendeu a conhecer o trabalho do meu marido, a transparência do seu trabalho e quando têm produto para descarte, ligam, marcam horário, deixam tudo separado e acertam o valor devido de cada material”, ressalvou a servidora.
A desinformação sobre como separar os materiais recicláveis e a importância dessa separação, no entanto, dificulta o trabalho dos coletores, em especial nos condomínios residenciais de Serra Negra, onde em geral o lixo comum é misturado com os materiais recicláveis.
Além de dificultar o trabalho e reduzir a renda do trabalhador com a inutilização de materiais contaminados, o descarte do lixo sem separação entre os orgânicos e recicláveis pode provocar no trabalhador cortes e infecções por materiais perfurocortantes e doenças.
Descarte proibido
Outra dificuldade apontada pela servidora é a falta de informação, inclusive por parte da prefeitura, sobre o destino de resíduos sólidos que são rejeitados pelas empresas que adquirem o material dos catadores.
Caixas de leite, materiais de isopor e caixas específicas, como as embalagens de ovos e de marmitas, entre outros, segundo Sonia, não têm valor para as empresas de sucatas do município, que compram os materiais resgatados do lixo pelos catadores.
Os trabalhadores ficam sem saber o que fazer com esses resíduos, uma vez que não podem ser descartados nas lixeiras da cidade nem no Ecoponto Nilson Franco Frutuoso, na Avenida Juca Preto. Sonia informou que nem o pessoal da garagem, responsável pela coleta seletiva, nem funcionários da Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, está preparado para orientar os catadores nesses casos.
Ela relatou um caso recente de um supermercado que contratou a empresa de seu marido para transportar vigas de isopor até o ecoponto. O serviço não pôde ser realizado porque o local não aceita esse tipo de descarte. Depois de insistir em busca de uma orientação, Sonia disse que foi informada a recomendar ao supermercado que contratasse uma caçamba para depositar o material. “Mas para onde a caçamba levou aquele material?”, questionou.
Enquanto o município providencia a criação de uma cooperativa de catadores, Sonia avalia que esses profissionais precisam urgentemente de treinamento, palestras e cursos para aprender a fazer o descarte, a separação e reconhecer os materiais que podem gerar de fato renda.
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O Viva! Serra Negra publicará uma série de reportagens sobre as palestras apresentadas no evento “Serra Negra discute Reciclagem e Meio Ambiente”, realizado em comemoração ao Dia Mundial da Reciclagem, 17 de maio.
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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra
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