Não é só a enxurrada de postagens feitas por perfis falsos com recursos da inteligência artificial que calunia e desinforma. Ações bem humanas, embora não pareçam tão absurdas, também causam muitos danos.
A juíza Gabriela Jardon Guimarães de Faria, da 6ª Vara Cível de Brasília, rejeitou ação contra o deputado Carlos Jordy (PL), que chamou o PT de “partido de traficantes” em postagem feita no ano passado. Jordy nem precisou da dosimetria golpista.
Chama atenção a criatividade de sua excelência na justificativa. Gabriela alega que a associação feita pelo apoiador de miliciano “é boba, quase infantil”, que as postagens se sobressaem pela “vileza, mas também pela tosquice, que se revela na pobre arquitetura da mensagem”.
Para a “juíza”, são críticas “ditas no vazio” e “sem fundamentação”. Embora prejudicial ao PT, reconhece, “não têm seriedade, profundidade ou alcance intelectual de relevo”.
Gabriela não é despretensiosa. Ela é autora de um livro chamado “Na Sala da Justiça”, com o qual quer “deixar um registro para a posteridade”. O curioso é que com o livro ela pretendia tratar das “relações humanas”.
A criatividade não tem limites, para o bem ou para o mal. Em outras palavras, na resposta ao PT a senhorinha quis dizer que o deputado é tão idiota que pode falar o que bem entender porque soa infantil. Muito criativa.
O difícil é saber quem é mais idiota e tosco nessa história. Talvez sejam os ofendidos, que acharam que poderiam buscar guarida na Justiça.
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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

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