//SALETE SILVA// Conselho Municipal de Saúde ignora caso da médica do Refúgio da Serra


O caso da transferência da médica Thami Valadares Correa da Unidade de Saúde Básica (UBS) Dr. Eduardo Cagnoni Tiengo, no Refúgio da Serra, pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), a pedido do secretário municipal da Saúde, Ricardo Minosso, não será analisado nem entrará na pauta de discussão do Conselho Municipal de Saúde de Serra Negra.

O tema sequer foi colocado em pauta na última reunião do órgão, no dia 30 de março. A coordenadora da Atenção Básica de Saúde, Cássia Dala Rosa, presente na reunião como convidada para apresentar o Relatório Anual de Gestão (RAG), um instrumento de planejamento e prestação de contas do Sistema Único de Saúde (SUS), se limitou apenas a informar que a decisão sobre a transferência da médica é da AgSUS, que em 2023 já teria comunicado à Secretaria de Saúde que pretendia transferir a profissional.

A informação contradiz, no entanto, o ofício enviado por Minosso à Câmara Municipal, segundo o qual, o próprio secretário informa que solicitou a transferência da médica em 2023 e depois em 2025 por “dificuldades no relacionamento profissional”. O desligamento da médica desagrada e causa indignação a pacientes. Um abaixo assinado com cerca de 1.200 assinaturas solicitando sua permanência circula nas redes sociais da cidade. 

Quando questionada após o término da reunião sobre as informações contidas no ofício envidado ao Legislativo, Kássia informou que não poderia responder porque não faz parte do Conselho de Saúde de Serra Negra e também porque desconhecia o documento enviado pelo secretário à Câmara Municipal.  

“Nunca passei por essa médica, não sei tecnicamente como é e nunca fui paciente dela, então não vou falar nada, prefiro ficar neutra. Mas é comum para qualquer ser humano pessoas que te odeiam, outras não”, afirmou. Kássia acrescentou ainda que não tinha como saber se o abaixo assinado havia sido assinado mesmo por 1.200 pessoas. “Não temos esses números”, disse. 

Pelo regimento interno do Conselho Municipal de Saúde, as pessoas presentes à reunião que não são conselheiros podem se pronunciar e fazer questionamentos após o término da reunião. No formato híbrido, essa regra provou ser impossível na prática porque os conselheiros que participaram online da reunião do dia 24 de março, entre os quais o presidente do órgão, Sandro Ocimar Robbi Froes, funcionário da Secretaria de Saúde, já estavam ausentes, quando os questionamentos foram liberados.  

“Eu não sou conselheira”, afirmou Kássia. O Viva! Serra Negra enviou perguntas ao presidente do conselho sobre a viabilidade de o órgão discutir e avaliar a permanência ou não da médica com os pacientes atendidos na Unidade Básica do Bairro Refúgio da Serra, mas não obteve resposta.

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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

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