Serra Negra deverá contar com mais dois ecopontos – locais destinados ao recebimento de pequenos volumes de resíduos recicláveis, móveis velhos e entulho, entre outros – e com mais um dia na semana – provavelmente quinta-feira - de coleta seletiva de recicláveis porta a porta, realizada pelo caminhão do Cisbra - Consórcio Intermunicipal de Saneamento Básico da Região do Circuito das Águas, que já percorre bairros da cidade às quartas-feiras.
As informações foram dadas pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Vanderlei Lona, na reunião bimestral do Conselho Municipal de Meio Ambiente, realizada no dia 9 de abril, na sede da prefeitura, no Centro de Convenções.
A reportagem do Viva! Serra Negra apurou ainda que o município deverá ganhar também uma central de resíduos para o armazenamento temporário, triagem, tratamento e destinação final de resíduos sólidos. Os investimentos serão feitos com recursos do governo federal, que repassou R$ 46 milhões ao Cisbra em novembro de 2024 por meio do Programa Aceleração do Crescimento (PAC).
“A coleta seletiva será feita em mais um dia na semana para atender todos os bairros e será de forma alternada com a coleta normal”, explicou Lona. Ele admitiu, no entanto, que os resultados do ecoponto localizado na Avenida Juca Preto ainda estão aquém do esperado e que está sendo necessário melhorar a sua logística.
Praticamente não houve interesse de credenciamento ao Ecoponto Nilson Franco Frutuoso, localizado na Avenida Juca Preto, 2086, no bairro das Palmeiras, por parte das pequenas empresas especializadas na recuperação e reciclagem de materiais do município. “Tivemos apenas um credenciamento”, disse. As empresas ainda podem se credenciar. “O credenciamento ainda está aberto, mas ninguém apareceu”, afirmou Lona, salientando que todas as empresas foram convidadas.
Ele admitiu ainda que faltou conhecimento técnico para melhor funcionamento do ecoponto e também divulgação. O local, informa Lona, recebe materiais recicláveis diariamente, mas conta com apenas um funcionário para fazer o atendimento.
Ainda não há prazo para a inauguração do próximo ecoponto, que será instalado no bairro Nova Serra Negra. O projeto já foi aprovado, mas o secretário não informou os valores do investimento total. A superintendente do Cisbra, Sandra Cristina Dimis Santos, confirmou os investimentos previstos no projeto, mas não soube informar os valores que serão investidos em Serra Negra.
Área para descarte
de recicláveis é
utilizada desde 2012
O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano negou que a área pública que recebe materiais recicláveis nas proximidades da Represa Santa Lídia seja um lixão e explicou que o local vem sendo utilizado desde 2012 como depósito de materiais coletados na limpeza de zeladoria da cidade, como galhos, podas, colchões, guarda-roupas e móveis em geral quebrados, entre outros.
“Não é lixão. É um lugar que faz o transbordo e triagem do material, o que é para reciclagem tem uma caçamba de 38 metros cúbicos e todo material que é separado é levado com o convênio que a gente tem com o Cisbra com a intermediação de uma empresa contratada, que deixa a caçamba no local”, explicou. Quando a caçamba atinge sua capacidade a empresa, segundo o secretário, a substitui por outra. O material vegetal permanece no local até se decompor.
O secretário negou que o local tenha sido utilizado para o descarte de animais mortos. “Não tem animal morto nem terra de caixão de cemitério”, disse. Lona afirmou que a prefeitura contrata uma empresa para fazer a retirada do lixo do cemitério municipal. “O cemitério tem caçamba própria, que é uma empresa que leva. É outra empresa. Desconheço se levaram animal algum dia.”
Ele relatou que a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) já esteve no local e que não teria encontrado irregularidades. “A Cetesb viu que é um material que precisa ser selecionado, que precisa ter um licenciamento próprio” explicou.
O secretário informou ainda que a Cetesb esteve também no local quando a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) realizou o desassoreamento dos lagos do município. Na ocasião, apresentou o laudo dos materiais e resíduos retirados durante o trabalho de desassoreamento.
Lona ressaltou também que o local não está embargado. O espaço só ficou aberto devido à entrada e saída de caminhões durante o desassoreamento dos lagos pela Sabesp. O secretário avalia que nesse período aproveitaram para descarregar material, como resíduos de construção, que não deveriam ser depositados naquele espaço.
“Era caminhão entrando e saindo. Não tinha como fechar e acabou entrando gente para descarregar material que não deveria ser descarregado lá, como material de construção”, afirmou. O secretário negou que o local seja uma Área de Preservação Permanente (APP), protegida por lei (Código Florestal Brasileiro - Lei 12.651/2012) coberta ou não por vegetação nativa.
“A parte alta não é área de APP. A própria polícia ambiental colocou essa informação e a Cetesb não constatou nada. A Cetesb, quando licenciou para a Sabesp há alguns anos, informou que não era área de APP”, reforçou. Lona não falou sobre processos em investigação, mas disse que o local foi fechado para impedir a entrada de pessoas, mas que está funcionando e que aguarda orientações da Cetesb sobre o licenciamento indicado para o local.
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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

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