Tenho evitado falar de pesquisas porque todas estão ainda muito enviesadas, formuladas para darem o resultado desejado pelo mercado financeiro e demais donos do dinheiro que as contratam. Não à toa, como já foi pontuado, concentram-se nos dados do segundo turno, que pode até nem acontecer.
A pesquisa Datafolha, cujo dono é o mesmo do banco PagSeguro, tem sido feita para captar 500 coisas. Quando o entrevistado já está bem cansado começa um direcionado conjunto de perguntas sobre eleição.
O último resultado divulgado foi da Quaest, que é patrocinada pelo banco Genial. O questionário levado pelo instituto ao eleitor “escolhido” para a pesquisa é cansativo. A primeira pergunta eleitoral é a de número nove. Ou seja, até chegar lá o cidadão já está irritado.
Sem nenhuma introdução, a pergunta número nove é “em quem você pretende votar para presidente?” Estatisticamente representados pelos respondentes, 96 milhões de brasileiros responderam que ainda não sabem.
É inacreditável como jornalistas, teoricamente preparados para fazerem o que fazem, engolem o resultado das pesquisas sem nem saber como elas são feitas. E mergulham em análises do que nem imaginam o que seja.
Preciso repetir que não desacredito da ciência das pesquisas, mas atualmente elas estão sendo feitas por gente de caráter duvidoso. Os institutos sérios deverão começar a apresentar um resultado mais crível a partir de setembro. Até lá, barbas de molho e paciência.
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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

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