//SALETE SILVA// Médica continua atendendo na UBS do Refúgio da Serra enquanto aguarda transferência

Dra. Thami: "Só o secretário de Saúde municipal pode reverter a decisão de me transferir para outra  cidade"

A médica Thami Valadares Correa continua atendendo os pacientes na Unidade de Saúde Básica (UBS) Dr. Eduardo Cagnoni Tiengo, no Refúgio da Serra. A profissional informou, em entrevista ao Viva! Serra Negra, que continuará atendendo os pacientes naquele local até que haja disponibilidade de vaga em outras cidades em que ela tenha interesse em atuar, sem prazo para que isso ocorra.

O secretário municipal de Saúde, Ricardo Minosso, enviou na semana passada um ofício à Câmara Municipal de Serra Negra em resposta ao requerimento do Legislativo encaminhado à Pasta solicitando informações sobre o desligamento da médica do Programa Mais Médicos pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), órgão do Ministério da Saúde responsável pela contratação de médicos especialistas em Medicina de Família e Comunidade (MFC), sob o regime CLT.

O secretário informou que o desligamento da médica foi solicitado pela secretaria no ano passado. A profissional continua atuando na UBS do Refúgio da Serra. Minosso explica no ofício que o município não foi notificado sobre “qualquer interrupção do contrato dela em Serra Negra, razões pelas quais a agenda da profissional está mantida como sempre”. 

A AgSUS confirma essa informação: "A médica Thami Valadares Correa, atualmente lotada no município de Serra Negra (SP), faz parte do Programa Mais Médicos. Atualmente, sua vinculação contratual permanece ativa na AgSUS com vínculo CLT", respondeu a Unidade de Comunicação do órgão ao Viva! Serra Negra

O município, explica o secretário, aguarda manifestação do Programa Mais Médicos, citado no ofício. “Caso a decisão seja pela continuidade da profissional, estaremos garantindo toda a condição de trabalho, como sempre foi feito”, diz o ofício.

A médica, no entanto, afirmou que seu desligamento já está consumado pela AgSUS sem possibilidade de reversão, senão por decisão do próprio secretário. O desligamento foi feito a pedido do gestor da saúde no município e, segundo a médica, só uma decisão dele pode reverter sua transferência para outra localidade. 

A médica disse que a agSUS não considera a opinião dos pacientes nem o abaixo-assinado com mais de 1.200 assinaturas de moradores e pacientes encaminhado à agência solicitando sua permanência. As cidades com vagas disponíveis apresentadas até agora pela AgSUS não são de interesse da médica por serem distantes de onde mora com familiares. “O meu vínculo com a cidade está ativo e por isso continuo atendendo e ainda não fui transferida”, explicou

Faltas e dificuldades

de relacionamento

O secretário informou no ofício enviado à Câmara que o município solicitou o desligamento da profissional mais de uma vez. A última delas foi em 2025. Minosso relata que “logo no primeiro mês da atuação da profissional, a saber abril de 2023, esta gestão enfrentou as primeiras dificuldades no relacionamento profissional com a mesma, principalmente pela falta de assiduidade”. 

Segundo o ofício, a médica apresentou diversas ausências, algumas justificadas outras não, nunca comunicando previamente a gestão, trazendo desorganização ao serviço. O secretário relatou que já havia solicitado o desligamento da médica em 2023, meses depois de a profissional assumir o cargo. 

Só em 2026, dos 45 dias úteis a profissional se ausentou 42% desses dias, diz o ofício. “Portanto, desde 2023, a atual gestão da Secretaria Municipal de Saúde não possui relacionamento profissional harmonioso com a médica”, afirma Minosso.

A médica nega as informações do ofício em relação às faltas que, segundo ela, foram justificadas com atestado médico. “Quero que ele prove alguma falta não justificada, com dia e ano”, afirmou. Thami salientou ainda que nunca recebeu nenhuma advertência verbal ou por escrito da Secretaria de Saúde, da AgSUS ou do Ministério da Saúde. 

A profissional disse também que no caso de faltas programadas por consulta ou exame médico sempre avisou com antecedência. “Lógico que se acordo passando mal não tem como avisar antes, mas todas foram justificadas com atestado médico enviado à AgSUS e ao RH da secretaria”, ressalvou. 

Em relação às ausências de 2026, a dra. Thami disse que foram três faltas em janeiro para consulta médica comunicadas previamente à equipe, gestão e pacientes. O maior período de ausência, 15 dias, ocorreu após a reunião com integrantes da AgSUS em que foi comunicada de seu desligamento.

 “A própria AgSUS me orientou a pedir afastamento médico devido à minha saúde mental e disponibilizou seguimento psicológico com psicóloga da agência.” Desde então, a médica disse que faz o acompanhamento indicado, além dos que já fazia com psicólogo e psiquiatra. 

Falta de autonomia 

e constrangimento 

A médica disse que nunca teve autonomia no trabalho. “Ele [Minosso] controlava a quantidade de atestados que eu dava para funcionários públicos e tem total controle sobre minha agenda e tempo de atendimento." 

A profissional nega que a AgSUS estaria tentando há meses um contato com ela. "A AgSUS não estava tentando contato há seis meses”, afirmou. O primeiro contato foi em reunião online realizada em 29 de janeiro. Nessa reunião, foi informada que o pedido de desligamento havia sido feito pelo secretário Ricardo Minosso. 

A dra. Thami informou que está tomando providências jurídicas e acusa o secretário de tentativa de constrangimento na frente de pacientes, pressão para assinar como responsável técnica do posto em que atua, e por negar conhecimento de participação em congresso em que era palestrante, entre outras acusações.

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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

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