//SALETE SILVA// Vítimas de violência voltam atrás e ficam sem acolhimento. Saiba o que a cidade oferece
Daniele Brandini Siloto: "Nem sempre a mulher percebe que é vítima da violência psicológica"
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A comparação entre o número de denúncias na Justiça e o de vítimas atendidas pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CRES), órgão vinculado à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Serra Negra, revela que muitas mulheres vítimas de violência doméstica voltam atrás e desistem da denúncia.
A Justiça de Serra Negra recebe cerca 20 pedidos de medida protetiva por mês, número muito superior à média de 18 vítimas de violência doméstica atendidas por ano pelo CRES, segundo dados apresentados pela psicóloga Daniele Brandini Pachioni Siloto, secretária municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, no evento "Serra Negra Discute a Violência Doméstica", realizado no dia 14 de março, na Câmara Municipal, e promovido pela Casa da Cultura Dalmo Dallari, Viva! Serra Negra e PT de Serra Negra.
Este ano, até março, apenas quatro casos chegaram ao CRES. “Então, vejam a discrepância entre o que o dr. Carlos [Carlos Eduardo Silos de Araújo, juiz da 2ª Cara Criminal de Serra Negra] falou, do número de casos que chegam à Justiça, e da quantidade que chega para a gente acompanhar”, comparou Daniele. “Esse aqui é um dos nossos maiores desafios, nós já conversamos isso com a OAB”, acrescentou.
Os casos de denúncias contra violência doméstica precisam chegar até a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social para que o acolhimento seja feito. “Quanto antes essa demanda chegar, menor o impacto sobre essa família”, observou.
Mas como chegar? E quando chegar o que os órgãos competentes têm a oferecer às vítimas? As denúncias, explicou Daniele, podem ser feitas até anonimamente pelos seguintes canais: Disque 100 (Disque Direitos Humanos), serviço gratuito, anônimo e disponível 24 horas, incluindo finais de semana e feriados, para denúncias de violações de direitos humanos; 156 (Guarda Civil Metropolitana); e o 3892-7970. As mulheres vítimas de violência doméstica podem ainda solicitar à Guarda Municipal a inclusão na Ronda Maria da Penha.
A secretária explicou ainda que há no município alguns programas de acolhimento às vítimas encaminhadas pela Delegacia da Mulher, Guarda Municipal, Conselho Tutelar e também da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Serra Negra). As ações preventivas com vistas a identificar a demanda de situações que podem se tornar causas de violência são coordenadas pelo Centro de Referência e Assistência Social, o CRAS, também vinculado a sua pasta.
Ela salientou a importância de identificar a violência psicológica. “Nem sempre a mulher percebe esse tipo de violência, além de que não é algo fácil de comprovar”, acrescentou. O CRAS atua nessa identificação. “Esse trabalho é o fundamental, porque as mulheres chegam machucadas, destruídas, amedrontadas e muitas vezes sem caminho para sair da situação”, explicou Daniele.
A secretária lembrou que há pessoas por trás dessas vítimas, em especial os filhos, muitas vezes também com sentimento de culpa e desejo de defender a mãe. A secretaria por meio dos órgãos competentes faz encaminhamentos na área da saúde (clínico, psicológico) entre outros, na área jurídica e capacitação profissional. Há ainda encaminhamentos para abrigos e aluguel social por meio de programas municipal e do Estado de São Paulo.
Ainda assim muitas vezes a mulher recua. “Por que ela gosta de apanhar? Não. Mulher nenhuma gosta disso.” E aí reside o outro maior desafio do enfrentamento da violência doméstica na cidade: mostrar os caminhos e romper com o círculo de violência doméstica para que os abusos, agressões e até o feminicídio não se tornem padrões repetitivos nas famílias.
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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra
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