//SALETE SILVA// Casa da Mulher Brasileira é essencial para assistir a vítima de violência, diz deputada
| Deputada Juliana Cardoso: sociedade brasileira é machista e homofóbica |
A ativista dos movimentos sociais e membro titular da Comissão da Mulher na Câmara Federal, deputada Juliana Cardoso (PT-SP), destacou a importância do funcionamento de uma Casa da Mulher Brasileira a cada dez municípios, para que a vítima de violência tenha acesso a todos os recursos (jurídicos, psicológicos, assistenciais e econômicos) no mesmo local, para se libertar com maior agilidade do agressor, processá-lo e seguir sua vida.
“Nessa única porta [Casa da Mulher Brasileira], a mulher tem o juiz, o procurador, lá tem o delegado... Tem os passos da assistência social que vai conversar com as crianças”, explicou a deputada no evento “Serra Negra discute a violência doméstica”, realizado no dia 14 de março, na Câmara Municipal de Serra Negra e promovido pela Casa da Cultura Dalmo Dallari, Viva! Serra Negra e o PT Serra Negra.
Juliana avalia que a Casa da Mulher Brasileira permite que a mulher tenha mais coragem para denunciar e enfrentar o agressor. A unificação do atendimento evita que a mulher tenha de repetir várias vezes o mesmo depoimento e além disso o agressor permanece preso no local até ser transferido para um presídio.
“Isso deveria ser em todos os lugares, para que essas mulheres pudessem ter essa coragem, porque é difícil você ter de falar toda hora a mesma coisa para várias pessoas e isso é muito difícil”, afirmou.
A Seccional de Bragança Paulista, responsável pelas unidades policiais de diversos municípios, incluindo Serra Negra, ainda não conta com uma Casa da Mulher Brasileira. O ex-deputado estadual Edmir Chedid (União Brasil), atual prefeito de Bragança Paulista e irmão do prefeito de Serra Negra, Elmir Chedid (União Brasil), em seu último mandato na Assembleia Legislativa prometeu instalar uma Casa da Mulher Brasileira na região. A promessa não se concretizou.
A deputada lembrou que a sociedade brasileira é machista e homofóbica e que ainda não há uma educação pública de qualidade que contribua para disseminar o entendimento de que as mulheres são donas de si e de seus corpos. “A nossa cabeça pensa, somos mulheres que desenvolvem não só a organização da família e da casa. Não há só esse peso, vamos dizer assim, nas nossas costas, nos nossos ombros”, afirmou.
A deputada lembrou que São Paulo é um dos Estados com maiores índices de violência doméstica, chegando a registrar 300 mil casos só em 2025, com apenas 18 mil agressores presos no ano passado. “Ainda temos no nosso Estado 118 mil indivíduos com medida protetiva e muitas vezes sem que o Judiciário ou que as polícias consigam chegar até as vias de fato para poder dar essa segurança às mulheres”, salientou.
A deputada se mostrou preocupada ainda com o movimento "Red Pill" nas redes sociais, integrado por homens que se dizem ser as verdadeiras vítimas de um sistema que favorece as mulheres. Crianças e adolescentes são as principais alvos da disseminação de ódio contra as mulheres pelo movimento Red Pill. O ideal para conter esse movimento seria a regulamentação das redes sociais. Mas, segundo a deputada, dos 513 parlamentares da Câmara Federal boa parte se nega a votar a regulamentação das redes sociais com receio de perder visualização e cliques.
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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra
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