//SALETE SILVA// Corpo de Fernanda é encontrado em mata no extremo sul da capital


A Polícia Militar de São Paulo encontrou neste sábado, 24 de janeiro, o corpo da arquiteta serrana Fernanda Silveira Andrade (foto), de 29 anos, desparecida havia quase quatro meses. Fernanda foi vista pela última vez no dia 7 de outubro na região do distrito de Parelheiros, no extremo sul da capital paulista, mesmo local em que seu corpo foi encontrado. 

A Polícia Militar chegou até o local depois de prender esta semana o ex-namorado Eurianan dos Santos Barbosa, que confessou o crime e indicou onde estava a cova rasa em que ocultou o corpo de Fernanda.

Nas últimas semanas Neusa Andrade, mãe da arquiteta, recorreu às redes sociais e à imprensa com objetivo de divulgar o caso e acelerar as investigações. A polícia chegou até o ex-namorado, que já tinha prisão decretada desde abril de 2025, após denúncia anônima de que ele se encontraria em uma residência em Engenheiro Marsilac, também na zona sul de São Paulo

Ainda não há informações sobre como a vítima foi assassinada. Os policiais apreenderam um revólver calibre 38 e 20 munições. A ocorrência deverá ser registrada no 101º Distrito Policial, que dará sequência às investigações sobre o caso.

Casos de feminicídio

Este é o segundo feminicídio envolvendo mulheres de Serra Negra em menos de um ano. Em abril do ano passado, a serrana Beatriz Aparecida de Araújo Cruz, 31 anos, desapareceu e só foi encontrada quatro meses depois, quando seu ex-marido, Thiago Fernando Monteiro, foi preso, confessou o crime e indicou o local onde havia enterrado o corpo. Os casos guardam muitas semelhanças. Assim como Beatriz, o assassinato de Fernanda, registrado como feminicídio, revela um histórico brutal de violência doméstica. 

Fernanda foi esfaqueada pelo ex-namorado em 2025. Ambas as vítimas tentavam terminar o relacionamento, mas eram ameaçadas por seus agressores. O ex-namorado de Fernanda chegou a ameaçar toda a família. Assim como a arquiteta, Beatriz ficou quatro meses desaparecida.

Outro ponto em comum dos dois casos é o relato das mães das duas vítimas, que dizem ter enfrentado dificuldades para acessar a Delegacia da Mulher e em especial obter informações e agilizar o trabalho de investigação da polícia. Ambas recorreram às redes sociais e à mídia para divulgar os desparecimentos e tentar encontrar os suspeitos.  

São Paulo é o Estado recordista em feminicídio, com pelo menos 233 casos contabilizados, seguido de Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). O aumento dos casos de feminicídio em São Paulo foi de 10,1% em relação a 2024, com a capital paulista concentrando uma a cada quatro ocorrências do Estado. O Brasil bateu recorde de feminicídios no ano passado, totalizando 1.470 casos entre janeiro e dezembro.

Menos recursos

O governador Tarcísio de Freitas cortou em 70% os investimentos no combate ao crime contra a mulher em 2025. O programa de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, um conjunto de políticas públicas, serviços e iniciativas articuladas pelo governo estadual, recebeu apenas R$ 2,6 milhões dos R$ 8,7 milhões inicialmente previstos. Com isso, do valor empenhado pela estimativa da população feminina paulista entre 15 e 59 anos – 14,9 milhões de mulheres -, foi aplicado apenas R$ 0,18 por mulher no combate ao feminicídio.

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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

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