A Câmara Municipal rejeitou por unanimidade, na sessão do dia 9 de março, pedido para que iniciasse o processo de cassação do mandato do prefeito Elmir Chedid. Um dos motivos do pedido inusitado foi o fato de que veículos da concessionária de transporte coletivo, a Rápido Fenix - empresa pertencente à família do alcaide local - estar rodando com pneus carecas.
Cinco vereadores se manifestaram sobre o assunto. Foram unânimes nos elogios ao teor da denúncia, mas disseram que o Executivo já havia tomado providências, multado a concessionária, e portanto essa história de cassação de mandato não tinha nada a ver. A prefeitura, disseram, merecia no máximo um puxão de orelhas.
Foram unânimes, também, nas críticas aos secretários municipais, que não dão bola às suas sugestões, críticas e pedidos. Alguns deles, reclamaram, sequer se dignam a atender os telefonemas. "Não estamos pedindo nada para nós, mas sim para os munícipes", afirmaram Ricardo Fioravanti e Cesar Borboni.
O episódio, se não trouxe maior consequência para o prefeito, mostrou que praticamente todos os vereadores têm queixas da administração. Por enquanto, elas são dirigidas aos auxiliares diretos de Chedid. Fica no ar, porém, uma indagação: até quando o chefe do Executivo não será responsabilizado diretamente pela incompetência de seus subordinados?
Mesmo no caso de uma Câmara Municipal quase toda umbilicalmente ligada aos Chedid cabe a velha e sábia máxima de que a paciência tem limite.
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Carlos Motta é jornalista profissional diplomado (ex-Estadão, Jornal da Tarde e Valor Econômico) e editor do Viva! Serra Negra

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