//ANÁLISE// O impeachment como processo

                                                                                                           


Fernando Pesciotta


Jair Bolsonaro e sua brilhante equipe já ouviram a Anvisa e especialistas de todo o planeta condenarem o tal tratamento precoce do coronavírus. Mas insistem na defesa dessa sandice, assim como seus apoiadores fundamentalistas.

Nas redes sociais não é difícil encontrar gente, como aquela enfermeira do Espírito Santo, vomitando estupidez contra a vacina e os procedimentos científicos.

A resposta do Ministério da Saúde ao posicionamento da Pfizer sobre a oferta do imunizante é patética e reforça a má vontade do governo com o programa de vacinação.

Neste domingo (24), Bolsonaro repetiu cenas bizarras dos últimos 11 meses, provocando aglomeração sem uso de máscara. Um criminoso.

Não tenho muita dúvida de que esse comportamento é estratégico. Bolsonaro e os fundamentalistas sabem o tamanho de sua incompetência e a impossibilidade de ter uma gestão eficiente na saúde pública. Se não sou capaz de suprir as necessidades da população com a vacina, então a desprezo e a denigro. 

Principalmente se meu adversário a defende e a aplica.
É simples assim o tamanho da tosquice bolsonarista.

Bem feito, é isso também que está levantando a bola do impeachment. Há sérias dificuldades para afastar Bolsonaro, a começar pela falta de mobilização popular por causa da pandemia - e aí entra uma das razões para o fundamentalismo bolsonarista querer prolongar a pandemia.

A despeito dessa dificuldade, ver a popularidade despencar por culpa de seus próprios erros é um sinal de esperança. Pena que seja às custas da morte de quase 220 mil brasileiros, e contando. 

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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com                                                                      

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