//CARLOS MOTTA// Apertar o 13 no dia 25 é questão de sobrevivência para os serranos


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Serra Negra apresenta baixos indicadores de renda em comparação com os demais municípios do Circuito das Águas Paulista, do Estado de São Paulo e do Brasil: o salário médio dos trabalhadores formais é de 1,8 salário mínimo, e o PIB per capita, de R$ 34.288,07, coloca a cidade na última posição regional. Ao mesmo tempo, milhares de moradores dependem de programas e serviços públicos federais, como Bolsa Família, BPC, Farmácia Popular, aposentadorias, Gás do Povo, Fundeb e SUS, utilizado por mais de 75% da população. Mesmo com esse cenário de forte dependência das políticas sociais, o candidato que defende o fim desses programas obteve 65,20% dos votos no 1º turno da eleição presidencial, contra 26,93% de Lula, que propõe mantê-los e ampliá-los. Votar 13 no dia 25 de outubro é, portanto, uma questão de sobrevivência para a população de Serra Negra.

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Não é exagero afirmar que Serra Negra, no que se refere à renda do trabalhador, é uma das mais pobres cidades do Circuito das Águas Paulista, do Estado de São Paulo e até mesmo do Brasil. Vamos aos dados. 

Considerando o salário médio mensal dos trabalhadores formais (que é de 1,8 salário mínimo):
- No Circuito das Águas Paulista, Serra Negra ocupa a 5ª posição entre os municípios da sua região geográfica imediata;
- No Estado de São Paulo está a 577ª posição entre os 645 municípios paulistas;
- No Brasil, ocupa a 3.412ª posição entre os 5.570 municípios do país.
Se a análise for feita pelo Produto Interno Bruto (PIB) per capita (R$ 34.288,07), Serra Negra ocupa a última posição (9º lugar) no Circuito das Águas Paulista e a 2.430ª posição no ranking nacional.
Vamos a outros dados, esses sobre a dependência dos moradores da cidade aos programas sociais do governo federal:
- Número de beneficiários do Bolsa Família: Cerca de 900 famílias/beneficiários (com base na cobertura média do CadÚnico para a faixa populacional do município);
- Número de beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada): Aproximadamente 400 beneficiários (entre idosos e pessoas com deficiência);
- Número de beneficiários do Farmácia Popular: O programa atende mensalmente em torno de 3.200 pessoas na rede credenciada de drogarias do município;
- Número de aposentados: Cerca de 6.200 beneficiários (incluindo aposentadorias urbanas e rurais emitidas pelo INSS);
- O programa Gás do Povo contempla 95 famílias;
- O município vai receber cerca de R$ 16 milhões do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) para cobrir no mínimo 70% do pagamento da folha salarial dos profissionais da educação básica; 
- Mais de 75% dos cerca de 30 mil habitantes depende dos serviços prestados pelo SUS (atenção primária, realizada nas Unidades Básicas de Saúde e por equipes de Saúde da Família, oferecendo consultas médicas e de enfermagem, vacinação, pré-natal, curativos, distribuição de medicamentos básicos e métodos contraceptivos; atenção secundária, com atendimentos de urgência e emergência em Unidades de Pronto Atendimento, além de consultas com médicos especialistas; e atenção terciária, dispondo de hospitais e centros especializados para cirurgias de grande porte, tratamentos oncológicos, hemodiálise e transplantes de órgãos).
Os dados são oficiais. Outros dados: 
O candidato à Presidência da República que pretende acabar com todos os programas sociais que permitem à imensa maioria dos brasileiros - e serranos - viver com um mínimo de dignidade, teve 65,20% dos votos no 1º turno das eleições deste ano em Serra Negra. O outro candidato, o presidente Lula, que pretende não só manter esses programas sociais, mas ampliá-los, recebeu míseros 26,93% dos votos dos serranos.  
Não interessa aqui tentar saber porque isso ocorreu. Mas para o bem da população de Serra Negra, quase toda dependente dos programas sociais do governo federal, apertar o 13, dia 25 de outubro, mesmo a contragosto, mesmo detestando ter de fazer isso, é uma questão de sobrevivência.

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Carlos Motta é jornalista profissional diplomado (ex-Estadão, Jornal da Tarde e Valor Econômico) e editor do Viva! Serra Negra

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