//FERNANDO PESCIOTTA// Lavajatismo explícito



Algum alienígena que desembarcasse na Terra no final da década passada acharia que o tamanho do estrago causado pelo colossal erro do então juiz Sérgio Moro jamais se repetiria.

Pois André Mendonça, que o miliciano implantou no STF como praga, está cometendo o mesmo erro. É um juiz que acusa e investiga, em vez de julgar.

Não se trata de defender quem quer que seja, mas o comportamento do ministro terrivelmente evangélico é tendencioso e visa minar o processo eleitoral e atingir a Corte como um todo e não só Alexandre de Moraes, visto por muitos como perseguidor do bolsonarismo e defensor do PT.

Moraes está longe de ser uma coisa ou outra e o comportamento de Mendonça na condução do processo do caso Master acaba por colocar sob julgamento todo o mérito de Moraes na defesa da democracia encarcerando os golpistas.

André Mendonça vazou relatório parcial da Polícia Federal contra Moraes e em sequência quebrou o sigilo do caso no mesmo dia que o Coaf mostrou que Flávio Bolsonaro mentiu sobre o recebimento de dinheiro de Daniel Vorcaro. André Mendonça ajudou a esconder a revelação.

O que se vê no tal relatório da PF é uma aberração que só dá prazer à mídia reacionária e lavajatista. Os supostos diálogos de Vorcaro e Moraes revelam apenas um lado, sem as respostas e contextos para parecer uma coisa que não é necessariamente verdade.

Se Alexandre de Moraes cometeu ilicitudes, deve ser punido, mas da forma correta. E se quer ser severo e justo, Mendonça precisa mudar radicalmente seus conceitos. Por enquanto não passa de um bolsonarista tendencioso que pode colocar o relatório da PF no lixo por cometer tanta ilegalidade, como salientam o próprio diretor-geral da PF e o chefe do Ministério Público.

Ou seja, joga tudo no ventilador só para tentar mexer com o quadro eleitoral.

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Fernando Pesciotta é jornalista, consultor em comunicação e colaborador do Viva! Serra Negra. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

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