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Setores da mídia e parte da Faria Lima aproveitam o momento para tentar jogar na conta do governo a crise que atinge o varejo tradicional. O pedido de recuperação da potente de outrora Casas Bahia é o gancho para a jogada eleitoreira de banqueiros e maus jornalistas.
Marcas tradicionais do varejo, como Pão de Açúcar, Dia, Tok&Stok, Marabraz, Americanas e agora Casas Bahia somam mais de R$ 68 bilhões em recuperação. Mas o governo está bem longe desse problema.
Ao contrário, o governo é outra vítima de parte das razões que levaram essas empresas para o buraco: os juros altos. A taxa exageradamente elevada imposta pelo Banco Central afasta o consumidor do crediário e eleva o pagamento de dívidas das empresas, numa equação mortal.
Uma prova de que a crise não é de agora é que o preço da ação da Casas Bahia na Bolsa era 500 vezes maior há cinco anos. Na verdade, a companhia sofre desde o início do século, quando negócios estranhos envolveram a venda para o Pão de Açúcar, para o Casino francês, recompra e a revelação de escândalos sexuais de seus donos.
O varejo global não soube lidar com um concorrente de peso: a internet. Massificou-se o consumo via comércio eletrônico. Além disso, boa parte dos consumidores elevou suas exigências e percebeu que tem loja vendendo porcaria a preço alto.
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Fernando Pesciotta é jornalista, consultor em comunicação e colaborador do Viva! Serra Negra. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com
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