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| Juiz de Direito Carlos Eduardo Silos de Araújo: é necessário um trabalho educativo preventivo com meninas e meninos (foto: Prefeitura de Serra Negra) |
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O primeiro evento este ano, intitulado “Serra Negra discute a violência doméstica” foi realizado em março na Câmara Municipal de Serra Negra por iniciativa da Casa da Cultura e Cidadania Dalmo de Abreu Dallari, Viva! Serra Negra e PT/Serra Negra. O encontro resultou num e-book (https://shre.ink/LWeE) sobre as causas da violência no município e as políticas públicas adotadas na cidade para reduzir os casos de agressões e violência na cidade.
“Todas essas coisas, todos esses encontros que estão acontecendo têm de produzir algum efeito”, afirmou o juiz, salientando que sua impressão é a de que os casos de violência doméstica têm diminuído no município este ano em relação ao ano passado.
O juiz participou na segunda-feira, 17 de agosto, de um evento do Fundo Social de Solidariedade como parte da campanha Agosto Lilás, de prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher.
O juiz ressalvou, no entanto, que tem receio de afirmar que houve uma redução dos casos porque “pode dar azar”, uma vez que a maior parte dos casos de violência doméstica ainda não são comunicados.
O dr. Silos de Araújo destacou que a violência física desaparece, mas a psicológica se mantém e marca para sempre a mulher. Ele lembrou ainda que há uma forte tendência de reprodução do comportamento agressor. “Filhos de pais agressores têm uma propensão de se tornarem adultos agressores.”
O juiz lembrou ainda que no interior de São Paulo há conservadorismo muito expressivo. Para mudar essa realidade é necessário um trabalho preventivo educativo com meninas e em especial meninos, que ele já vem realizando em escolas do município. “Pego desde caso que envolve menor que agride a namorada até um senhor de 70 anos que agride a esposa”, relatou.
Os plantões judiciários de fins de semana também revelam os números ainda elevados dos casos de violência doméstica. Quando iniciou a legislatura na região por volta de 2006, o juiz relatou que cerca de 95% dos registros feitos nos plantões judiciários aos sábados e domingos, que incluíam os municípios de Jaguariúna a Socorro, eram registros de furto, roubo e tráfico de entorpecentes, entre outros. Hoje, entre 70% a 80% dos casos nesses plantões são de denúncias de violência doméstica e contra a mulher.
A violência doméstica sempre existiu, mas as mulheres denunciam mais e a Justiça dispõe de muito mais instrumentos judiciários, como medidas protetivas.
A secretária Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de Serra Negra, Daniele Brandini Pachioni Siloto, que também participou do evento, apresentou dados do ano passado que mostram um retrato preocupante da violência doméstica no município: 200 medidas protetivas, 23 denúncias de violência doméstica por mês e duas vítimas de feminicídio.
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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

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