//SALETE SILVA// Debates sobre feminicídio têm ajudado a reduzir violência doméstica, diz juiz

Juiz de Direito Carlos Eduardo Silos de Araújo: é necessário
um trabalho educativo preventivo com meninas e meninos (foto: Prefeitura de Serra Negra)

Leitura rápida

Segundo o juiz Carlos Eduardo Silos de Araújo, os debates e ações educativas sobre feminicídio e violência doméstica realizados em Serra Negra podem estar contribuindo para uma redução dos casos neste ano, embora ele ressalve que muitas ocorrências ainda não são denunciadas. Em evento do Agosto Lilás, o magistrado destacou a importância da prevenção e da educação, especialmente entre crianças e adolescentes, diante da reprodução de comportamentos agressivos. Ele também afirmou que a violência doméstica passou a representar entre 70% e 80% dos casos registrados nos plantões judiciários da região, enquanto a secretária de Assistência Social, Daniele Brandini Pachioni Siloto, apresentou dados de 2025 que apontam 200 medidas protetivas, 23 denúncias mensais e dois feminicídios em Serra Negra.

Notícia completa


Os debates e encontros realizados em Serra Negra sobre feminicídio e violência doméstica têm contribuído para aumento menor de casos de violência contra a mulher na cidade. A avaliação é do juiz de Direito Carlos Eduardo Silos de Araújo. 

O primeiro evento este ano, intitulado “Serra Negra discute a violência doméstica” foi realizado em março na Câmara Municipal de Serra Negra por iniciativa da Casa da Cultura e Cidadania Dalmo de Abreu Dallari, Viva! Serra Negra e PT/Serra Negra. O encontro resultou num e-book (https://shre.ink/LWeEsobre as causas da violência no município e as políticas públicas adotadas na cidade para reduzir os casos de agressões e violência na cidade.

“Todas essas coisas, todos esses encontros que estão acontecendo têm de produzir algum efeito”, afirmou o juiz, salientando que sua impressão é a de que os casos de violência doméstica têm diminuído no município este ano em relação ao ano passado.

O juiz participou na segunda-feira, 17 de agosto, de um evento do Fundo Social de Solidariedade como parte da campanha Agosto Lilás, de prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher. 

O juiz ressalvou, no entanto, que tem receio de afirmar que houve uma redução dos casos porque “pode dar azar”, uma vez que a maior parte dos casos de violência doméstica ainda não são comunicados. 

O dr. Silos de Araújo destacou que a violência física desaparece, mas a psicológica se mantém e marca para sempre a mulher. Ele lembrou ainda que há uma forte tendência de reprodução do comportamento agressor. “Filhos de pais agressores têm uma propensão de se tornarem adultos agressores.” 

O juiz lembrou ainda que no interior de São Paulo há conservadorismo muito expressivo. Para mudar essa realidade é necessário um trabalho preventivo educativo com meninas e em especial meninos, que ele já vem realizando em escolas do município. “Pego desde caso que envolve menor que agride a namorada até um senhor de 70 anos que agride a esposa”, relatou.

Os plantões judiciários de fins de semana também revelam os números ainda elevados dos casos de violência doméstica. Quando iniciou a legislatura na região por volta de 2006, o juiz relatou que cerca de 95% dos registros feitos nos plantões judiciários aos sábados e domingos, que incluíam os municípios de Jaguariúna a Socorro, eram registros de furto, roubo e tráfico de entorpecentes, entre outros. Hoje, entre 70% a 80% dos casos nesses plantões são de denúncias de violência doméstica e contra a mulher.   

A violência doméstica sempre existiu, mas as mulheres denunciam mais e a Justiça dispõe de muito mais instrumentos judiciários, como medidas protetivas. 

A secretária Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de Serra Negra, Daniele Brandini Pachioni Siloto, que também participou do evento, apresentou dados do ano passado que mostram um retrato preocupante da violência doméstica no município: 200 medidas protetivas, 23 denúncias de violência doméstica por mês e duas vítimas de feminicídio.

-------------------

Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

Comentários