Leitura rápida
Embora a demora para conseguir consultas nas Unidades Básicas de Saúde seja uma das principais reclamações dos usuários da rede municipal, quase 30% dos pacientes faltaram aos atendimentos agendados entre janeiro e abril de 2026, segundo relatório apresentado ao Conselho Municipal de Saúde. O índice médio de absenteísmo foi de 28%, com destaque para as consultas com nutricionistas (54,54%), psicólogos (33,76%), ginecologistas (31,97%) e pediatras (27,75%), enquanto as faltas foram menores em consultas clínicas (13,83%) e atendimentos de enfermagem (2,62%). A coordenadora da Atenção Básica, Cássia Dala Rosa, e o presidente do conselho, Sandro Robbi, reconheceram a gravidade do problema, mas afirmaram que ainda não há um diagnóstico preciso das causas nem estratégias definidas para reduzir as ausências. Entre os motivos mais comuns apontados em estudos sobre o tema estão esquecimento, falhas de comunicação, melhora do quadro clínico, dificuldades de transporte e incompatibilidade com horários de trabalho. Recentemente, a Lei 15.377/2026 reforçou o direito do trabalhador de se ausentar do emprego, sem desconto salarial, para a realização de exames preventivos.
Notícia completa
Apesar de a demora para as consultas nas Unidades Básicas de Saúde do município ser um dos principais motivos das reclamações de pacientes da rede municipal de saúde, o porcentual de faltas nos atendimentos agendados entre janeiro e abril de 2026 chegou a quase 30%.
Os profissionais da Secretaria de Saúde do município não têm ainda uma explicação técnica para as faltas nem uma estratégia definida para reduzir o numero de absenteísmo e reduzir as ausências.
A média de faltas às consultas de médico clínico, pediatra, ginecologista, atendimentos de enfermagem, psicólogo e nutricionista girou em torno de 28%. O maior índice de absenteísmo é nas consultas aos nutricionistas. Mais da metade dos pacientes, 54,54%, não compareceu ao atendimento agendado.
As faltas às consultas ao psicólogo chegaram a 33,76%, seguidas das ausências ao ginecologista, que corresponderam a 31,97% dos atendimentos ofertados.
Falta pediatra no município, mas ainda assim as ausências nos atendimentos agendados no posto de saúde chegaram a 27,75%. O porcentual é abaixo da média apenas nos casos de consultas ao médico clínico (13,83%) e dos atendimentos de enfermagem (2,62%).
As informações constam no relatório de prestação de contas do primeiro quadrimestre de 2026 das aplicações do Fundo Municipal de Saúde e Gestão em Saúde, apresentado na reunião mensal do Conselho Municipal de Saúde pela coordenadora da Atenção Básica de Saúde, Cássia Dala Rosa.
Ela lamentou os porcentuais recordes de faltas, mas não soube explicar quais seriam os principais motivos das ausências e da tendência de alta dessas faltas. Cássia explicou que os pacientes são notificados com antecedência sobre os agendamentos. Uma das hipóteses para as ausências às consultas de pediatra e ginecologia nas UBSs seria a oferta de consultas com esses especialistas no Hospital Santa Rosa de Lima.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, coordenador da área de Vigilância Sanitária da prefeitura, Sandro Robbi, reconheceu que o índice de absenteísmo é alto, mas também não soube explicar as razões e admitiu que é necessário fazer um levantamento para saber quais são as principais causas das ausências e definir uma estratégia para reverter esse quadro.
Do esquecimento à
falta de transporte
O absenteísmo é um problema tanto no atendimento de saúde público como privado no país. As principais causas apontadas, segundo levantamentos, é o esquecimento: a falha de comunicação ou datas agendadas com muita antecedência, além da melhora do quadro clínico no dia da consulta e principalmente dificuldades de logísticas, como falta de transporte e horário de trabalho. Muitos trabalhadores não são autorizados a sair em horário de expediente.
O direito de se ausentar no trabalho para comparecer às consultas médicas foi reforçado este ano pelo presidente Lula que sancionou a Lei 15.377/2026 que já está em vigor e garante ao trabalhador o direito de se ausentar por até três dias a cada 12 meses, sem desconto no salário, para realizar exames preventivos (como câncer de mama, colo do útero, próstata e HPV).
----------------
Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

Comentários
Postar um comentário
Os comentários são bem-vindos. Todos serão moderados. E não serão publicados os que estimulem o preconceito de qualquer espécie, ofendam, injuriem ou difamem quem quer que seja, contenham acusações improcedentes, preguem o ódio ou a violência.