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A decisão da Prefeitura de Serra Negra de contratar três agentes de trânsito por processo seletivo é positiva, depois de quatro anos sem esses profissionais, mas também evidencia a demora da administração municipal em enfrentar os problemas de mobilidade urbana da cidade. Três agentes é um número insuficiente para atender a demanda e a isso se somam os baixos salários oferecidos e a falta de medidas mais amplas para organizar o trânsito, como o uso da Guarda Civil Municipal na fiscalização, a criação de bolsões de estacionamento e a instalaçãon da Zona Azul. Há alternativas para melhorar a situação, mas falta iniciativa do poder público para colocá-las em prática.
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A Prefeitura de Serra Negra resolveu contratar, por meio de processo seletivo, três agentes de trânsito. A cidade está sem esses profissionais desde 2022. Eram igualmente três funcionários, que, não se sabe os motivos, pediram demissão. De lá para cá, o trânsito nas ruas centrais, que já era ruim, tornou-se caótico, principalmente nos fins de semana e feriados. Nessas ocasiões, incontáveis turistas se somam aos moradores e tornam Serra Negra uma localidade hostil à convivência humana.
A contratação desses três agentes de trânsito por um lado é uma boa notícia. Por outro, demonstra, mais uma vez, a incapacidade da atual administração de lidar com os problemas mais sérios do município. Afinal, até as pedras sabem que o centro da cidade não comporta mais veículos, não tem vagas de estacionamento suficientes, e é área onde predomina a lei da selva, onde cada um rasga ao seu bel prazer as regras do Código de Trânsito Brasileiro. E só agora, quatro anos depois, pasmem, a prefeitura percebeu que essa situação é absolutamente insustentável!
Pensando bem, três agentes de trânsito são, perdoem o chavão, uma gota no oceano. Esclarecemos: como vão trabalhar 44 horas por semana terão de revezar folgas - e assim, nunca serão mais de dois atuando todos os dias, o que obviamente é um número insuficiente para atender a demanda de toda a cidade.
Para o serviço, faça chuva ou faça sol, a prefeitura vai pagar, bruto, R$ 1.680,39 mensais, mais cesta básica e vale alimentação. É o mesmo salário dos atendentes de puericultura, coletores de lixo, coveiros, lavadores/lubrificadores e servidores braçais que o Executivo pretende contratar no mesmo processo seletivo.
Os salários são deploráveis, como os da quase totalidade dos servidores públicos de Serra Negra.
Denotam o pouco caso da prefeitura com os gravíssimos problemas de mobilidade urbana da cidade. Pois, se o atual alcaide estivesse de fato preocupado com a deterioração acelerada das condições do tráfego urbano, ele teria, há muito tempo, determinado à Guarda Civil Municipal que trabalhasse no controle e fiscalização do trânsito.
Além disso, seria extremamente bem-vinda a criação de bolsões de estacionamento nas entradas da cidade. E até mesmo a instalação do estacionamento rotativo nas ruas, a conhecida Zona Azul, que liberaria mais vagas.
Soluções existem. Mas é preciso coragem para adotá-las.
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Carlos Motta é jornalista profissional diplomado (ex-Estadão, Jornal da Tarde e Valor Econômico) e editor do Viva! Serra Negra

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