| Neusa Andrade: "Quero pedir às autoridades que ouçam uma mãe quando ela diz que sua filha corre perigo" |
A dificuldade de acesso à rede de atendimento às vítimas de violência doméstica e às autoridades locais, a lentidão no andamento das investigações e a desinformação sobre os serviços disponíveis de acolhimento social e psicológico contribuíram para que duas mulheres serranas, Beatriz Araújo e Fernanda Silveira de Andrade, entrassem para as estatísticas de feminicídio no Brasil, mesmo depois de terem obtido medidas protetivas contra seus agressores.
Esses dificultadores no atendimento, prisão dos agressores e depois também na busca das vítimas que permaneceram cerca de quatro meses desaparecidas foram apontados pelas suas mães, Roseli Araújo e Neusa Andrade, no evento “Serra Negra discute a violência doméstica”, promovido pela Casa da Cultura Dalmo Dallari, Viva! Serra Negra e PT Serra Negra, no dia 14 de março, na Câmara Municipal.
“Pedi ajuda, fui várias vezes à delegacia, minha filha tinha duas medidas protetivas”, relatou Neusa. Antes de ter sido assassinada na capital paulista, Fernanda havia retornado a Serra Negra pensando em se separar de seu companheiro, depois de ele tê-la agredido e até a esfaqueado. Mas Fernanda acabou sendo levada de volta a São Paulo sob ameaças dele.
“Fiz Boletim de Ocorrência, fui ao promotor, pedi pelo amor de Deus para rastrear o celular dela, mas ele só falou para mim: 'A sua filha é maior de idade, pode fazer o que ela quiser da vida dela'”, afirmou Neusa, que questiona se o celular de Fernanda não poderia ter sido rastreado pelas autoridades policiais se ela já tinha duas medidas protetivas.
Neusa tentou pedir o rastreamento do celular da filha também às autoridades de São Paulo. “Eu só queria que tivesse rastreado o celular da minha filha. Talvez estivesse viva”, avaliou Neusa aos prantos, salientando que o agressor já tinha também pedido de prisão.
Neusa diz que seu maior sentimento é de não ter tido a ajuda necessária para evitar o feminicídio da filha. “Então eu quero pedir às autoridades daqui [Serra Negra] que ouçam uma mãe quando ela diz que sua filha corre perigo e que as leis funcionem para que as autoridades tenham autonomia para tomar as medidas como rastrear o celular”, desabafou.
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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra
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