A fraqueza do governo anterior abriu espaço para a pobreza da política e apenas o nosso voto ou um grande escândalo poderá mudar o cenário. Ao rifar a gestão pública para se concentrar na desinformação e aquela patacoada de família, pátria e mentiras, o desinfeliz deu um poder ao Congresso que mina qualquer política pública séria.
Dados da execução do Orçamento do ano passado mostram que os parlamentares controlaram, por meio de emendas, 25% dos investimentos federais, de construção de hospitais e estradas a compras de máquinas.
Quando se considera órgãos vinculados aos ministérios, como as universidades públicas, 44 instituições têm mais da metade do orçamento vinculado a emendas, revela a Folha. Em ao menos nove casos, a definição de verba pelos parlamentares supera os 90%.
Há R$ 5,9 bilhões em investimentos por emendas Pix, modalidade de indicação individual enviada diretamente aos prefeitos e governadores.
As emendas subvertem o planejamento das políticas públicas, que deveriam observar verdadeiras necessidade e prioridades regionais, além da dinâmica de cada instituição.
Mas o que se tem visto é uma gastação de dinheiro cujo único critério é a visibilidade alcançada pelo deputado ou senador.
Por isso, muitas emendas têm interesses pessoais de seus autores. Um exemplo disso, revelado pelo portal UOL, é do deputado Moses Rodrigues (União-CE). Ex-presidente da Comissão de Educação e relator de cinco propostas para ampliar o Fies, ele tem claro interesse em destinar recursos para o setor.
A família de Rodrigues é dona da evangélica Aiamis, que controla diversas universidades no País, especialmente no Nordeste. A Aiamis também tem o maior número de alunos financiados pelo Fies. Desde 2019, recebeu mais de R$ 1 bilhão em emendas.
Olho no voto. É urgente melhorar a composição do Congresso.
Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com


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