//CARLOS MOTTA// Câmara aprova nova moção antiaborto "copia e cola"

O texto aprovado na Câmara de Serra Negra se repete em várias outras cidades


A Câmara Municipal de Serra Negra aprovou por unanimidade, na segunda-feira, 27 de novembro, uma Moção de Apoio, de autoria dos vereadores Waguinho do Hospital e Roberto de Almeida, a ser encaminhada ao Congresso Nacional, "em face da tentativa de legalização do aborto por meio da ADPF 442, a fim de garantir as prerrogativas constitucionais e republicanas das competências do Poder Legislativo e de se evitar um possível ativismo judicial por parte do Supremo Tribunal Federal".

No mês de setembro, uma Moção de Repúdio enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) também foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal de Serra Negra, contra o "avanço" da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 442 na corte máxima da Justiça brasileira. A ADPF pede a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

Nos dois casos, os textos apresentados e votados pelo Legislativo serrano não são originais, mas sim um "copia e cola" de moções de igual teor aprovadas em dezenas de Câmara Municipais Brasil afora. 

Uma simples busca no Google mostra que o texto aprovado em Serra Negra é idêntico, em grande parte, aos apresentados nas Câmaras Municipais dos municípios de Piên (PR), Pederneiras (SP), Videira (SC), Limeira (SP), Rancho Queimado (SC), Concórdia (SC), Piratininga (SP), Paranaíba (MS), Corumbá (MS), Alto Garças (MT), Taquaritinga SP) e Jardim (MS), entre outras cidades. 

No caso da Moção de Repúdio enviada ao STF em setembro, ela foi transcrita de um "manifesto" de "influenciadores cristãos", publicado no site de extrema-direita Brasil Paralelo. 

O texto da Moção de Apoio aprovada no dia 27 de novembro e encaminhada aos presidentes do Senado e Câmara dos Deputados, não tem uma autoria pública definida. Mas como foi utilizado por vereadores de municípios de diferentes regiões do país, provavelmente se origina de grupos ultraconservadores, que atuam de forma a passar para a opinião pública como sendo iniciativa espontânea uma ação meticulosamente planejada.

Cidadãos e cidadãs têm todo o direito, numa democracia, de expressar abertamente suas opiniões sobre temas controversos, como o aborto. No caso, porém, de vereadores, deveriam, no mínimo por uma questão ética, deixar claro que estão debatendo e votando um texto que não nasceu naquela Casa de Leis.

E. T.: O vereador Renato Giachetto enviou mensagem à editora do Viva! Serra Negra, Salete Silva, informando que ele também é coautor da moção aprovada e, 27 de novembro. Está feito o registro. 

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Carlos Motta é jornalista profissional diplomado (ex-Estadão, Jornal da Tarde e Valor Econômico) e editor do Viva! Serra Negra



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