//OPINIÃO// Chedid está certo, combater a pandemia é prioridade. Mas de forma radical



Carlos Motta


O novo prefeito de Serra Negra, Elmir Chedid (DEM), em seu pronunciamento na sessão de posse virtual, na sexta-feira, 1º de janeiro, disse que a sua prioridade, neste início de governo, será combater a pandemia de covid-19, que já fez 619 vítimas na cidade, seis delas fatais, e vem se agravando dia a dia.

“Peço por gentileza que os serranos tenham carinho pelas nossas famílias, pelas famílias dos turistas e que o turista também tenha carinho com a população residente”, apelou, pedindo para todos usarem máscaras, manterem o distanciamento e evitarem aglomerações.

A preocupação de Elmir é mais que compreensível. O covid-19 vem se penetrando na sociedade local com uma rapidez extraordinária. 

Só em dezembro o coronavírus infectou 230 serranos, numa média de 7,4 novos casos por dia.

Cabe ao novo prefeito adotar de imediato medidas drásticas para impedir uma catástrofe sanitária na cidade. 

É bom lembrar que o hospital que Serra Negra dispõe é de pequeno porte e não é equipado com leitos de Unidade de Terapia Intensiva - os mais próximos estão em Amparo, que já estão todos preenchidos por pacientes com covid-19.

E não basta fazer apelos para a população se resguardar.

Será necessário aumentar a fiscalização para que todos cumpram as normas dos decretos estadual e municipal que impuseram protocolos e regras.

O tempo das advertências já passou - os infratores devem ser punidos de acordo com a legislação.

Fora isso, o poder público tem de rever alguns de seus procedimentos.

As informações enviadas à redação do Viva! Serra Negra por uma leitora que teve um encontro rápido com uma pessoa infectada pelo coronavírus exemplificam um grosseiro erro no protocolo adotado pela saúde pública municipal.

Segundo essa leitora, assim que soube que estivera reunida com esse portador do vírus, ela foi ao "gripário" instalado no Alto das Palmeiras, seguindo as recomendações da prefeitura. Queria saber se havia sido contaminada, embora estivesse sem os sintomas característicos da doença.

Para sua surpresa, foi informada que o teste para detecção do covid só eram aplicados em quem apresentasse sintomas graves.

"E se eu estivesse doente?, pergunta. "Não deveria ter feito o teste para saber se tinha sido contaminada, para então ficar em isolamento? E se estivesse contaminada, eles não deveriam ir atrás de quem teve contato comigo?"

A queixa da leitora é perfeitamente justificada. 

Todos os países que estão se saindo melhor no combate à pandemia têm aplicado testes em massa, pois só por meio deles é possível isolar os focos de contaminação.

Em Serra Negra, se eles estão sendo negados à população, isso é indicativo de que as autoridades sanitárias não estão seguindo o modelo mais lógico para impedir a disseminação do coronavírus.

Na realidade, pouco se fez até agora na cidade para prevenir a doença. 

Além dos testes, faltam fiscalização para obrigar o cumprimento da lei e uma campanha intensa para conscientizar a população sobre a necessidade de se manter o distanciamento, usar máscaras, higienizar as mãos  e evitar aglomerações.

O novo prefeito tem poder para adotar o quanto antes as medidas sanitárias imprescindíveis. 

A vacinação, infelizmente, não deverá ocorrer tão cedo e nem ela poderia, por si só, debelar a pandemia.

A esperança da população é que o novo prefeito não ouça os negacionistas que vêm contaminando com a sua estupidez a sociedade brasileira e dê todo o apoio às verdades científicas e que o combate à pandemia seja feito de forma radical, sem meias medidas ou medidas simplesmente paliativas.

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