//ANÁLISE// Mais um rolo na conta de Michelle Bolsonaro

                                        


Fernando Pesciotta


Muito tem sido falado na chamada nova mídia sobre a operação para lá de suspeita envolvendo o Banco do Brasil com o BTG Pactual, criado pelo ministro Paulo Guedes. O banco privado comprou do BB uma carteira de crédito de R$ 3 bilhões pagando R$ 300 milhões.

Para agravar as suspeitas, praticamente ignoradas pela chamada grande imprensa, o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, deixou o governo em agosto para se tornar sócio de quem? Sim, do BTG Pactual.

Há muitas outras denúncias de superfaturamento envolvendo o Exército, desconfianças de irregularidades no Ministério do Desenvolvimento, desvios de Damares Alves. Mas os maiores rolos envolvem a família Bolsonaro.

A cada dia tem uma nova acusação. Segundo revela a coluna Olhar Olímpico, do UOL, Daniel Bialski, advogado de Michelle Bolsonaro em diversos processos, conseguiu que o clube A Hebraica, do qual é presidente, capte R$ 11,3 milhões em recursos públicos incentivados para construir um campo de futebol para seus associados.

Outros projetos do clube serão contemplados com mais R$ 2 milhões, também com verba pública.

Para se ter uma ideia do que representa esse dinheiro, o São Paulo gastou R$ 17 milhões, em valores atualizados pela inflação, para construir o centro de treinamento de Cotia.

A suspeita que paira no ar é de que ao menos parte do dinheiro público sirva, na verdade, para pagar os honorários do advogado de Michelle Bolsonaro.

Dúvidas

A economia real até que dá sinais de algum alento, embora sem vantagens para o emprego e a renda das famílias. O crescimento da indústria pelo quarto mês consecutivo, em agosto, é um exemplo. A expansão de 3,2%, porém, ainda não leva a produção para os níveis anteriores à crise.

Não é difícil entender o descasamento entre uma retomada e um futuro pouco promissor. São muitas as razões para se duvidar de que teremos dias melhores.

Falta um plano de governo, faltam definições mais claras sobre para onde vamos. Em síntese, falta governo.

Há sinais cada mais evidentes de que o mercado financeiro perdeu a confiança no governo. Por mais que mantenham o discurso público de apoio, empresários e investidores estão convictos de que Paulo Guedes se revela fraco, cercado e sem poder.

A Bolsa acumula perdas – tem a maior queda do mundo neste ano –, a fuga de capital é recorde, a entrada de investimento direto nunca foi tão baixa e, importante, os juros futuros passaram a subir rapidamente.

Analistas se esforçam para encontrar justificativas para o tombo no mercado financeiro. Bobagem, a real motivação para dados tão ruins, e que implodem o otimismo com o futuro, é o fim da confiança no governo Bolsonaro.

Guedes, está claro, não pede demissão, se apegou ao cargo. Mas não será nenhuma surpresa se for demitido, a partir da constatação da ala política do governo de que o ex-superministro já não tem a confiança do mercado.

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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

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