//SALETE SILVA// Perderam as mulheres! Venceu a misoginia.


As eleições de 2026 produziram uma série de derrotas às mulheres brasileiras.  A esquerda tentou ampliar a participação feminina no Legislativo. Venceu a cultura machista, misógina que alimenta o feminicídio que mata por ano mais de mil mulheres.

Manuela d’Ávila (PSOL), Gleisi Hoffmann (PT), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Benedita da Silva (PT) e Soraya Thronicke (PSB) disputaram vagas no Senado em seus respectivos Estados, mas nenhuma delas conseguiu ficar entre os dois candidatos eleitos. 

No Rio Grande do Sul, Manuela ficou fora das duas vagas conquistadas por Marcel van Hattem (Novo) e Sanderson (PL). No Paraná, Gleisi perdeu para Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). Em São Paulo, Simone Tebet e Marina Silva ficaram atrás de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). No Rio de Janeiro, Benedita foi superada por Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL. Já em Mato Grosso do Sul, Soraya perdeu a reeleição enquanto Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL, conquistaram as duas cadeiras. 

Embora pertençam a partidos diferentes e tenham trajetórias distintas, todas estavam em 2026 posicionadas no campo politico mais comprometido com a ampliação da participação das mulheres na politica brasileira.

Mulheres competentes. Entre elas, Simone Tebet, com larga experiência politica, iniciada no Legislativo de sua cidade, com passagem pela prefeitura, vice-governadora, senadora e ministra.

Trocaram Simone e Marina, reconhecida internacionalmente pelo seu trabalho ambiental, por um secretário de Estado que se vangloriou por ter "no exercício do ofício" cometido assassinatos.

A cultura machista só não pode se dar totalmente por vencida porque mulheres aguerridas foram eleitas, como Luna Zarattini (PT), Samia (PSOL), Erika Hilton (PSOL), Juliana Cardoso (PT), e vão fazer o contraponto à misoginia defendida, até por mulheres machistas como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, que apoiam Flavio Bolsonaro, o pai de família que faz orgias com garotas de programa pagas com dinheiro de origem duvidosa, contando com a certeza do perdão da esposa e companheira. 

A luta só começou e Serra Negra, que já registrou duas mulheres vítimas de feminicídio e aumento da violência doméstica, não vai fugir à luta.

#vamosjuntas

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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

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