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Os resultados das eleições para deputado federal e estadual em Serra Negra mostram uma mudança importante no comportamento do eleitorado entre 2022 e 2026. PT e PSOL, partidos identificados com a esquerda, ampliaram sua votação nos dois cargos. Para deputado federal, o PT passou de 612 para 865 votos, enquanto o PSOL saltou de 843 para 1.516. Juntos, os dois partidos passaram de 1.455 para 2.381 votos, um crescimento de quase 64%.
Na Assembleia
O movimento se repete na disputa para deputado estadual. O PT cresceu de 789 para 1.165 votos, enquanto o PSOL passou de 548 para 1.208. Somados, os dois partidos saíram de 1.337 para 2.373 votos, um aumento de quase 78%. É uma mudança significativa num município tradicionalmente marcado por votações conservadoras.
Haddad também cresceu
A tendência aparece ainda na disputa para governador, representada por Fernando Haddad, do PT. O crescimento da votação dos petistas para deputado federal e estadual indica que o partido ampliou sua presença eleitoral local. A comparação com a votação de Haddad para governador ajuda a completar o retrato da evolução do campo progressista em Serra Negra.
O encolhimento do PSDB
Entre os partidos da direita tradicional e do chamado centro, nenhum resultado é tão expressivo quanto o do PSDB. Para deputado federal, a legenda despencou de 1.632 votos, em 2022, para apenas 35 em 2026. Na eleição para deputado estadual, caiu de 231 para 97 votos. O antigo protagonista da política paulista praticamente desapareceu do mapa eleitoral serrano.
União Brasil perde espaço
O União Brasil também sofreu uma forte retração. Na eleição para deputado federal, passou de 3.291 para 199 votos. Na disputa estadual, a queda foi ainda mais impressionante: de 7.989 para 1.023 votos. A votação de 2022 para deputado estadual foi fortemente influenciada pela candidatura de Edmir Chedid, irmão do prefeito Elmir Chedid.
Republicanos em baixa
O Republicanos, que em 2022 teve 3.070 votos para deputado federal e 3.676 para deputado estadual, caiu para 1.116 e 572, respectivamente. A redução reforça a perda de espaço dos partidos tradicionais de centro-direita no eleitorado local.
MDB com comportamento misto
O MDB não seguiu uma trajetória uniforme. Na eleição para deputado federal, a legenda caiu de 424 votos, em 2022, para 278 em 2026, uma redução de 34%. Já para deputado estadual, ocorreu o contrário: o partido passou de 163 para 222 votos, crescimento de aproximadamente 36%. É, portanto, um caso de desempenho misto: perdeu espaço na disputa federal, mas ganhou votos na eleição para a Assembleia.
PP perde no federal e cresce no estadual
O Progressistas apresenta um resultado contraditório. Para deputado federal, caiu de 753 para 591 votos. Já na disputa estadual, teve forte crescimento, passando de apenas 136 para 2.047 votos. É uma das exceções à tendência de retração do Centrão e mostra que a votação de candidatos específicos continua sendo determinante para o desempenho partidário.
PL dispara
O grande vencedor entre os partidos da direita é o PL. A legenda, identificada com a extrema direita e o bolsonarismo, passou de 2.919 para 4.597 votos na eleição para deputado federal. Para deputado estadual, saltou de 1.213 para 3.955 votos. O crescimento foi de 57% na disputa federal e de 226% na estadual.
Direita mudou de endereço
Os números sugerem que a perda de votos de partidos tradicionais da direita não significou uma migração em massa em direção à esquerda. Uma parcela importante desse eleitorado parece ter se deslocado para o PL. Assim, Serra Negra apresenta simultaneamente crescimento da esquerda e uma forte expansão da extrema direita, enquanto partidos que durante anos ocuparam o centro do espectro político perderam espaço.
O fenômeno PSD
Outro resultado que chama a atenção é o do PSD, partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab. A legenda saiu de apenas 448 votos para deputado federal em 2022 para impressionantes 4.018 em 2026. Para deputado estadual, passou de 280 para 3.631 votos. É, ao lado do PL, o maior crescimento entre as legendas analisadas.
Uma eleição mais fragmentada
A nova fotografia eleitoral de Serra Negra mostra, portanto, um eleitorado menos concentrado nos partidos tradicionais. Em 2022, União Brasil, Republicanos e PSDB tinham presença muito mais forte nas disputas proporcionais. Em 2026, PL e PSD passaram a ocupar grande espaço, enquanto PT e PSOL também ampliaram sua votação.
Dois extremos em crescimento
O dado politicamente mais interessante talvez seja justamente este: a esquerda cresceu e a extrema direita também. PT e PSOL ampliaram sua votação de maneira consistente nas disputas para deputado federal e estadual, enquanto o PL apresentou uma expansão muito mais acelerada. No meio desse movimento, partidos tradicionais como PSDB, União Brasil, Republicanos e MDB perderam terreno.
Majoritários: bolsonarismo em alta
A eleição presidencial, a comparação precisa ser feita entre os candidatos que representaram o mesmo campo político. Em 2022, Jair Bolsonaro recebeu 10.141 votos em Serra Negra, equivalentes a 60,79%. Em 2026, Flávio Bolsonaro recebeu 10.696 votos, ou 65,2%. Ou seja: a candidatura bolsonarista teve 555 votos a mais e ganhou 4,41 pontos porcentuais.
Lula recua
Enquanto o campo bolsonarista avançou, Lula perdeu votos no município: passou de 4.911 votos (29,44%) em 2022 para 4.418 (26,93%) em 2026. Foram 493 votos a menos e uma redução de 2,51 pontos percentuais.
A distância aumentou
A combinação dos dois movimentos ampliou a vantagem do campo bolsonarista. A diferença entre Bolsonaro e Lula, em 2022, era de 5.230 votos. Entre Flávio Bolsonaro e Lula, em 2026, chegou a 6.278 votos. A vantagem porcentual passou de 31,35 para 38,27 pontos.
Tarcísio é o grande movimento
Na eleição para governador, a mudança foi ainda mais expressiva. Tarcísio de Freitas passou de 7.863 votos (50,7%) para 11.366 (74,55%). Foram 3.503 votos adicionais e quase 24 pontos porcentuais de crescimento.
Haddad também cresce
O comportamento de Fernando Haddad foi diferente do de Lula. O candidato do PT passou de 3.252 para 3.776 votos, ganhando 524 votos e 3,8 pontos porcentuais. Ainda assim, a distância para Tarcísio aumentou de 4.611 para 7.590 votos.
O efeito Rodrigo Garcia
Uma das chaves para entender o resultado estadual está na configuração das duas eleições. Em 2022, Tarcísio dividia o eleitorado de centro-direita com Rodrigo Garcia, que obteve 4.135 votos em Serra Negra. Em 2026, sem Garcia na disputa, Tarcísio concentrou uma parcela muito maior desse eleitorado. Portanto, seu avanço não deve ser interpretado apenas como crescimento orgânico de sua votação: houve também concentração de votos que anteriormente estavam dispersos.
Tarcísio concentrou ainda mais
No governo paulista, o fenômeno foi mais intenso. Com a saída de Rodrigo Garcia da disputa, Tarcísio passou a concentrar praticamente todo o voto de direita que em 2022 estava dividido. O resultado foi uma votação de 74,55% em Serra Negra, deixando Haddad com 24,77%.
Senado é da extrema direita
Em 2022 a eleição foi para eleger apenas um senador. Marcos Pontes, da coligação liderada pelo PL, teve 8.779 votos (60,18%) em Serra Negra e Márcio França, da coligação liderada pelo PT, recebeu 3.105 votos (21,29%). Neste ano, os votos foram para dois candidatos. A extrema direita venceu com facilidade: Guilherme Derrite recebeu 10.655 votos (36,88%) e André do Prado, 10.567 (36,57%). As duas candidatas progressistas, Simone Tebet e Marina Silva, receberam, respectivamente, 3.803 (13,16%) e 3.337 votos (11,55%).
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