//FERNANDO PESCIOTTA// Ironia do crime organizado



Antes da eleição de 2018, apenas à boca pequena se dizia que Jair Bolsonaro era um criminoso e integrante da cúpula da milícia do Rio de Janeiro. Hoje, todo mundo sabe disso.

O que alguns não sabem é que a milícia surgiu como uma forma de cometer crime contra criminosos. Eram grupos de supostos defensores de cidadãos comuns de comunidades de baixa renda. Com o tempo, se profissionalizou e se associou ao crime organizado, dividindo territórios para extorquir a população, matar, torturar, sequestrar e roubar.

Como em qualquer máfia, a atuação passa de pai para filho. Flávio Bolsonaro é o principal articulador dos crimes cometidos pela familícia.

A mais recente prova disso veio a público nesta quinta-feira (15), quando a Polícia Federal prendeu Márcio Canella. Ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foi o segundo deputado estadual mais votado no Rio de Janeiro.

Acusado de vários crimes graves, como lavagem de R$ 7,6 bilhões do Comando Vermelho, Canella é homem de confiança da familícia e do governador eleito, Douglas Ruas. Flávio Bolsonaro queria que Canella fosse candidato ao Senado, tendo sua mãe, Rogéria Bolsonaro, como suplente.

A articulação só não deu certo porque em julho a PF encontrou um fuzil no carro de Canella e o prendeu para averiguação.

De acordo com a PF, Canella é “patrono político” e “articulador de alto escalão” de uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho, e o elo entre o mundo político e organizações criminosas.

Por isso soa engraçado ver esse tipo de gente querer discutir maioridade penal. São criminosos querendo decidir a punição de seus crimes.

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Fernando Pesciotta é jornalista, consultor em comunicação e colaborador do Viva! Serra Negra. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

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