//MOBILIDADE URBANA// Serranos aprovam lombadas eletrônicas, mas pedem plano para o trânsito

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A enquete do Viva! Serra Negra sobre a instalação de lombadas eletrônicas mostrou que 71,43% dos participantes são favoráveis aos equipamentos, enquanto 28,57% são contrários e nenhum escolheu “Tanto faz”. Os comentários dos moradores, porém, revelaram ressalvas quanto aos locais de instalação, ao risco de os equipamentos serem utilizados apenas para arrecadação e à necessidade de combinar a fiscalização com outras medidas de mobilidade urbana, como Zona Azul, semáforos, estacionamento e agentes de trânsito. As vereadoras Letícia Esteffany e Anna Beatriz Scachetti também se declararam favoráveis aos dispositivos em pontos estratégicos, mas Anna Beatriz questionou a definição dos locais sem a existência de um plano de mobilidade urbana, enquanto Letícia destacou a função de segurança, especialmente para pedestres e em áreas próximas às escolas.

Reportagem completa

A maioria dos participantes da enquete promovida pelo Viva! Serra Negra é favorável à instalação de lombadas eletrônicas no município. À pergunta “Você é a favor da instalação de lombadas eletrônicas em Serra Negra?”, 71,43% responderam “Sim”, enquanto 28,57% escolheram “Não”. Nenhum participante marcou a opção “Tanto faz”. A consulta tem caráter exclusivamente jornalístico e não possui valor científico ou estatístico.

Os comentários publicados por moradores nas redes sociais e no site do Viva! mostram, entretanto, que o resultado não significa uma concordância sobre a forma como os equipamentos devem ser utilizados. Parte dos leitores defendeu as lombadas eletrônicas como instrumento de segurança, principalmente em pontos onde há circulação de pedestres ou excesso de velocidade.

“Com certeza, ultimamente está dando medo até atravessar na faixa de pedestre”, escreveu um morador. Outro afirmou ser favorável “principalmente na Avenida Juca Preto, onde os motoristas acham que é autódromo”. Também houve quem defendesse a instalação próxima a locais específicos e escolas.

Um dos participantes resumiu sua posição dizendo ser “a favor do pedestre” e avaliou que alguns motoristas poderiam respeitar mais as faixas e os limites de velocidade diante da possibilidade de multa. Outro leitor afirmou ser favorável, mas apenas “em alguns pontos específicos”.

Também apareceram manifestações defendendo uma implantação acompanhada de estudos. “Sou a favor de fazer um teste para ver se é viável ou não. Na teoria é uma coisa, na prática é outra”, comentou um participante.

Críticas ao uso dos equipamentos

Entre os comentários contrários ou críticos, uma das principais preocupações foi a possibilidade de as lombadas eletrônicas serem utilizadas prioritariamente para fiscalização e arrecadação, sem resolver os problemas estruturais de mobilidade urbana.

“Só para punição e arrecadação não resolvemos nosso maior problema. A discussão atual era a mobilidade urbana”, escreveu um leitor. Segundo ele, especialmente nos fins de semana, o Centro já registra velocidades muito baixas em razão dos congestionamentos, sendo necessário reforçar a atuação de agentes de trânsito para organizar a circulação.

Outro comentário classificou os equipamentos como uma possível “fábrica de multa” caso não haja fiscalização e organização do trânsito. Houve ainda críticas à falta de fiscalização de vagas destinadas a idosos e pessoas com deficiência.

Um dos leitores questionou diretamente a prioridade do investimento: “Sinceramente, acho que excesso de velocidade nunca foi um problema em Serra Negra (...) diante da situação caótica do trânsito doméstico. Gastar dinheiro nisso é falta de visão e desperdício, no mínimo”.

Lombadas x mobilidade urbana

A falta de vagas e os congestionamentos no Centro também apareceram com frequência nos comentários. Alguns moradores defenderam que a instalação de lombadas seja acompanhada de outras medidas, como Zona Azul, semáforos, fiscalização e organização do estacionamento.

“Não sou a favor, porque onde o trânsito está caótico é no Centro”, escreveu uma leitora, que defendeu a implantação de Zona Azul e estudos sobre a instalação de semáforos.

Outro participante afirmou ser favorável tanto às lombadas eletrônicas quanto à Zona Azul, argumentando que a ocupação prolongada das vagas por comerciantes e funcionários pode dificultar o acesso de consumidores ao comércio local.

Houve ainda quem chamasse atenção para a necessidade de um planejamento mais amplo. “O trânsito em si requer muito mais do que radares e lombadas eletrônicas. É preciso acompanhar o crescimento urbano e aumento de usuários das vias”, escreveu um leitor, defendendo um estudo técnico sobre mobilidade urbana e criticando a concentração de medidas na região central.

O comentário também apontou problemas relacionados à falta de estacionamento e à circulação nos períodos de maior movimento turístico.

Vereadoras defendem equipamentos, mas fazem ressalvas

A vereadora Letícia Esteffany declarou ao Viva! ser favorável à instalação das lombadas eletrônicas como instrumento de segurança viária. Segundo ela, os equipamentos devem ser instalados em pontos estratégicos, especialmente em locais de grande circulação e próximos a escolas.

“Como vereadora, sou favorável a tudo que venha para trazer mais segurança para a população, e sigo acompanhando esse projeto de perto”, afirmou.

Letícia informou ainda que o projeto prevê 20 equipamentos entre lombadas eletrônicas e radares distribuídos pelo município. A Prefeitura de Serra Negra também divulgou que estão sendo instaladas 20 lombadas eletrônicas e que os equipamentos foram planejados para locais onde as características das vias exigiriam medidas de redução de velocidade.

Já a vereadora Anna Beatriz Scachetti também se declarou favorável à utilização de dispositivos redutores de velocidade em locais estratégicos, mas fez ressalvas quanto à escolha dos pontos de instalação.

“Penso que é importante termos dispositivos redutores de velocidade em locais estratégicos. Eu mesma já solicitei diversos dispositivos em locais que os moradores me pedem, como as lombadas comuns, inclusive”, afirmou.

A vereadora, porém, questionou a ausência de um plano de mobilidade urbana antes da definição dos locais para instalação das lombadas eletrônicas. “O que eu questiono são os locais em que vêm sendo instalados. Acho complicado não ter o plano de mobilidade urbana ainda e a prefeitura colocar essas lombadas de forma discricionária”, disse.

Anna Beatriz também chamou atenção para o caráter fiscalizatório dos equipamentos e defendeu cautela na escolha dos pontos. Segundo ela, é necessário diferenciar locais onde a redução de velocidade é efetivamente necessária daqueles em que a instalação poderia ocorrer sem a mesma justificativa técnica.

Prefeitura prevê também sistema com 252 câmeras

As lombadas eletrônicas fazem parte de um projeto mais amplo de equipamentos de monitoramento e controle do trânsito e da segurança pública. Segundo a prefeitura, estão sendo instaladas 252 câmeras de monitoramento em pontos estratégicos do município, além das 20 lombadas eletrônicas. A administração municipal afirma que o objetivo é ampliar a segurança, prevenir acidentes e estimular o respeito aos limites de velocidade.

Viva! Serra Negra já publicou reportagem sobre a chamada “muralha eletrônica”, que reúne o sistema de câmeras e os equipamentos de fiscalização do trânsito (aqui).

O resultado da nova enquete, portanto, mostra uma maioria favorável às lombadas eletrônicas entre os participantes, mas os comentários revelam que existe uma discussão mais ampla sobre onde os equipamentos devem ser instalados, como serão fiscalizados e, principalmente, se medidas de controle de velocidade serão suficientes para enfrentar os problemas de mobilidade urbana de Serra Negra.

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