//FERNANDO PESCIOTTA// Transparência inédita



A Fifa tem um farto histórico de ótimo relacionamento com ditaduras, com as quais sempre trocou favores. O mais recente episódio, porém, ganhou ares de ineditismo pelo grau de transparência sem nenhuma vergonha.

A partir de uma fake news inventada por John Textor, supostamente ex-dono da SAF do Botafogo, Donald Trump acreditou que o árbitro brasileiro Raphael Claus era investigado por manipulação de resultados e atendeu a apelos para atacá-lo.

Trump telefonou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e pediu que o jogador da seleção dos EUA Folarin Balkogun, de família de imigrantes, tivesse sua expulsão anulada. Foi prontamente atendido.

A interferência inédita expôs a promiscuidade da Fifa e o imperialismo trumpista. Trump disse que Claus é “suspeito” e que a expulsão foi “injusta”. “Tudo que fiz foi pedir uma revisão porque não achei que foi falta. Entendo dessas coisas, os dois atletas que se chocaram”, afirmou o especialista que mal sabe a diferença entre futebol e soccer.

Seu ego não tem limites. No Dia da Independência ele lançou o Trump Account, um aplicativo que oferece “uma nova maneira de visualizar e aumentar a participação de seus filhos no futuro econômico dos EUA”.

Apesar do abuso de autoridade e da promiscuidade política, os EUA foram goleados pela Bélgica e eliminados da Copa do Mundo, com Balogun em campo. Tomara que sua tentativa de influência seja sempre um tiro no pé.

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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

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