//CARLOS MOTTA// Serra Negra tem de ser boa para turistas e moradores


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O crescimento desordenado do turismo em Serra Negra ocasionou impactos profundos na qualidade de vida dos moradores, como se vê especialmente no trânsito caótico, com falta de fiscalização, escassez de vagas de estacionamento e precariedade da infraestrutura urbana. Os turistas são bem-vindos e importantes para a economia, mas o desenvolvimento turístico precisa ser acompanhado de planejamento e investimentos que beneficiem também a população local. Deve-se questionar se o aumento do fluxo turístico realmente resultou em mais empregos, melhores salários e melhorias concretas para os serranos, pois uma cidade boa para o turista também precisa ser boa para quem nela vive.

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"O que será de nós, pobres moradores da cidade, que só queremos sair de casa para comer um pastel, tomar um simples café ao ar livre? Elitizar a cidade não é a solução. Cidade boa é aquela onde o turista e o morador sentem-se bem."

"Ir ao Centro de Serra Negra virou uma experiência extremamente negativa. É irritante, frustrante e cansativa. Não tem mais condições!"

As duas opiniões, de moradoras de Serra Negra, publicadas em redes sociais, expressam o que pensam - e sentem - muitos outros serranos, que se acham aprisionados em suas residências, temerosos de sair e enfrentar nas ruas a violência de um trânsito caótico, sem fiscalização, sem orientação, onde cada um faz as suas regras sem respeito a nada.

Turistas são sempre bem-vindos numa cidade que moldou a sua existência a eles. O turismo, porém, não pode prescindir de planejamento, de infraestrutura, de ações voltadas a preservar uma experiência notável de quem viaja e a qualidade de vida de quem recebe o viajante. 

Em resumo: uma cidade boa para o turista tem de ser boa para o morador.

E isso não vem ocorrendo em Serra Negra, por causa de prefeitos que não souberam - ou não quiseram - preparar a cidade para receber os visitantes, cada vez mais numerosos graças à recuperação econômica do país.

O atual administrador repete a cada instante que o turismo traz prosperidade aos serranos. Será? 

Será que mais empregos de qualidade estão sendo criados, será que os salários dos trabalhadores estão subindo, que mais obras estão sendo feitas para beneficiar os moradores?

Ou será que as divisas que os turistas vêm trazendo, cada dia mais, ficam, na quase totalidade, nas mãos - ou nas contas bancárias - de alguns poucos donos de lojas, bares, hotéis, restaurantes e que tais?

Quem puder, ou souber, que responda honestamente. Aponte dados, números, estatísticas que provem que a vida dos trabalhadores serranos melhorou na proporção em que aumentou a horda de turistas que invade a cidade nestes últimos tempos. 

Quem puder, ou souber, que aponte algo que a prefeitura fez para diminuir os congestionamentos, ampliar as vagas de estacionamento, reduzir as infrações no trânsito, dar prioridade ao transporte coletivo, aumentar a segurança dos pedestres, reformar calçadas intransitáveis, para, enfim, deixar Serra Negra minimamente preparada para a vida de seus moradores nestes tempos de vacas gordas.

Os turistas vêm e vão. Podem adorar a cidade ou podem detestar a cidade. Quem nela reside, porém, quem nela usufrui de seus equipamentos, paga impostos e taxas e vive obrigações cotidianas, não pode simplesmente ser indiferente ao que vê e sente.

Serra Negra não pode ser boa só para os turistas. Tem de ser também para os moradores.

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Carlos Motta é jornalista profissional diplomado (ex-Estadão, Jornal da Tarde e Valor Econômico) e editor do Viva! Serra Negra

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