//FERNANDO PESCIOTTA// Modelo econômico e mobilização



O ministro Fernando Haddad lançou no sábado, em São Paulo, seu livro “Capitalismo Superindustrial”.

É uma obra que retoma parte do trabalho acadêmico sobre a economia da União Soviética, com novos trechos que iluminam um debate criativo sobre a economia global a partir das revoluções no Leste Europeu e na Ásia que impactaram o mundo.

Com o novo livro Haddad busca apontar “caminhos diversos” para um capitalismo que “cria cada vez mais desigualdade”.

Haddad mostra coragem ao lançar um livro desse enquanto é o ministro responsável pela economia do Brasil. Ele mesmo brincou com isso dizendo que “é para lembrarem o que escrevi”, fazendo troça com o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, que quando virou presidente pediu: “Esqueçam o que eu escrevi.”

Em evento no teatro do Sesc 14 Bis lotado, Haddad debateu o livro com o sociólogo Celso Rocha de Barros. Disse que o sistema capitalista é a cada dia mais agressivo, exigindo cada vez mais trabalho e velocidade nas entregas, levando a desgastes humanos que exigem uma revisão, sob risco de colapsos e muita infelicidade.

Haddad entende a dificuldade de alterar a estrutura de capital existente, especialmente no Brasil. Lembrou que o Estado brasileiro foi dado à elite econômica como indenização pelo fim da escravidão e ninguém nunca mais chegou perto de recuperar o Estado para a sociedade, com exceção do metalúrgico que chegou à Presidência.

Nesse contexto, defendeu uma mobilização contra a extrema-direita como forma de se construir um ambiente econômico mais justo e distributivo.

O autor se revela um personagem político diferenciado. Dificilmente veremos outro com a mesma capacidade intelectual e propostas desse tipo. A dúvida é saber se o eleitor vai entendê-las.

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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com


Comentários

  1. Há uma grande diferença entre leitor e eleitor. O primeiro, lê livros e o entende, sabe interpretar e tirar dessa leitura um norte empático e social, bom para todos na urna. É um crítico da sociedade em que vive e busca uma sociedade igualmente justa e distributiva.
    Já, o segundo o eleitor é aquele que vai às urnas pelo voto ser obrigatório e em busca de uma compensação financeira, para não perder a viagem. Para esse indivíduo, a sociedade é violenta , injusta e sem perspectiva de mudança, pois acredita no imediatismo de que todos são iguais. Vive num mundo da terra plana e suas verdades (mentira) que lhe venderam, já que não lê, raciocina ou consegue desvendar a realidade em seu entorno. Traduzindo é um fascista que acredita na lei do mais forte e que o dinheiro vale tudo, não importa de onde ou como foi produzido.
    Mas este ano podemos mudar a vida de milhões e termos bons tempos a todos ou, retrocedermos e termos as elites da Faria Lima a nos acabrestar.

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