//FERNANDO PESCIOTTA// A fritura que queimou



Está muito difícil entender o que passa pela cabeça do ministro Dias Toffoli, do STF. Seu comportamento diante da enxurrada de suspeições, denúncias e críticas no caso do Banco Master não estava sendo suficiente para ele largar o bastão, mesmo que isso estivesse custando levar todo o Supremo para a lama.

Tem muita gente querendo argumentos para detonar o STF e com isso tirar sua credibilidade, principalmente de atos passados, como o julgamento da tentativa de golpe. Toffoli estava sendo útil para essa canalha.

O ministro alegava que deixar a relatoria do caso Master seria uma admissão de culpa. Mas esse é um pensamento enviesado e egoísta. Fora do caso, ele concede credibilidade para as apurações e ganha independência para se defender melhor, se é que há defesa.

Sua posição, porém, ficou insustentável e a decisão de deixar a relatoria foi construída ao longo desta quinta-feira (12). Em conversas com auxiliares e outros ministros, Toffoli se convenceu.

A imagem do STF, porém, precisa de uma recauchutagem. Essa história cheia de pontas soltas se soma à resistência em abrir mão de mordomias, penduricalhos e presentes num desgaste institucional desnecessário.

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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com


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