Alguns analistas acham que a economia não é mais uma motivação para o voto. Segundo a tese, com a enxurrada de versões chegando pelas redes sociais e grupos de mensagem, a tendência crescente é de o voto ser motivado mais pelas paixões e emoções do que pela razão.
A economia bombando pode não trazer os votos que até há pouco tempo traziam, mas uma economia capenga tira votos pela descrença que provoca. Um ambiente favorável traz felicidade, o que também ajuda na hora de apertar a tecla da urna eletrônica.
O problema é a criação de ambientes fantasiosos, as ações desenfreadas e desregulamentadas da inteligência artificial. Cada tribo vive um mundo “real” diferente das outras tribos, e isso ajuda a embaralhar projeções de quem analisa o cenário apenas pela “realidade”.
É nessa neblina que candidaturas de direita pretendem atuar. Por isso o governador de Goiás, o extremista Ronaldo Caiado, insiste tanto numa candidatura presidencial mesmo tendo de enfrentar o filho do miliciano.
Caiado se justifica dizendo que uma só candidatura de direita interessa a Lula. Talvez ele tenha razão, mas dois candidatos de direita também podem facilitar o caminho do presidente para seu quarto mandato ao rachar o eleitorado conservador.
Com tanta desinformação e criação de falsas realidades, é prematuro cravar qualquer coisa, mas se Lula souber rebater as caneladas da extrema-direita, a insistência de Caiado ou a presença de outro candidato apoiado por Kassab pode acabar sendo vantajoso para a esquerda.
Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com


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