//CULTURA// Exposição une Jung, Sebastião Salgado e reproduções de Matisse e Portinari



Biblioteca Sociedade das Artes e o Museu Rearte promovem, com entrada gratuita, a exposição "Do Livro ao Museu em Serra Negra", de 16 a 30 de janeiro, um evento que celebra o encontro de acervos e propõe uma reflexão sobre a identidade, a alma humana e a fragilidade do patrimônio.

Inspirada no histórico encontro entre o MAM e a Biblioteca Mário de Andrade (BMA), a mostra estabelece um diálogo inédito entre obras fundamentais de Carl JungSebastião Salgado, e o artista e psicoterapeuta local Henrique Vieira Filho (foto).

A exposição estrutura-se em dois eixos conceituais, ambos representados pelo acervo do Museu Rearte e da Sociedade das ArtesO Poeta da Luz: O Olhar sobre a Condição HumanaO Livro Secreto: Arte como Caminho para o Inconsciente

O primeiro eixo inclui uma homenagem póstuma a Sebastião Salgado, justapondo suas obras icônicas com a fotografia autoral em preto e branco de Henrique Vieira Filho. O eixo busca a "essência da condição humana" e a "majestade da natureza", com um foco especial nos rituais e na força do trabalho em Serra Negra — das mãos das costureiras ao ato, quase sagrado, de carregar a água mineral e preparar o café.

O livro "Diversidade", de Henrique Vieira Filho, funciona como peça central, ilustrando visualmente a miscigenação brasileira e a pluralidade que transcende a origem étnica, um tema que ressoa diretamente com o passado de imigração ítalo-portuguesa da região.

O segundo eixo, dedicado a Carl Jung, apresenta edições de seu enigmático "Livro Vermelho". A curadoria, baseada na análise de Vieira Filho, destaca a arte como um método de imaginação ativa – o ponto onde as "palavras são insuficientes" para expressar a alma. Esta visão psicanalítica propõe ao visitante uma apreciação emocional, ligando os arquétipos junguianos à busca pela identidade no livro Diversidade.

A exposição incluirá também reproduções das gravuras de Henri Matisse e Cândido Portinari, obras recentemente roubadas da BMA. O evento usa a ausência dessas obras originais como um poderoso símbolo da fragilidade do patrimônio cultural. Este núcleo temático convida o público e as autoridades a um debate urgente sobre a importância da preservação, do registro de acervos e das falhas na segurança institucional, transformando a exposição em um ato de vigilância e memória. 

As visitas podem ser agendadas pelo pelo Whatsapp: (11) 98294-6468 . O Ponto de Cultura e Museu ReArte estão localizados na Rua São Vicente de Paulo, 108, Serra Negra.

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