//FERNANDO PESCIOTTA// Política de segurança pública



Deixando as paixões de lado, a análise fria indica que a versão mais provável para a morte dos médicos paulistas no Rio de Janeiro é de engano. Antes mesmo da revelação da foto do miliciano muito parecido com um dos médicos mortos, os indícios eram de um erro dos assassinos.

Os médicos, ao que parece, estavam no lugar errado na hora errada.

A ação de milicianos, que foram até homenageados pelo capo que estava no Planalto até o ano passado, ganhou força no último governo e parece sem nenhum controle do Estado. Sua ambição é desmedida e conta com apoio logístico e operacional do Estado numa guerra com o tráfico para ver quem é mais bandido.

O caso, de qualquer forma, faz aflorar questões importantes para o cenário político. A forma como o crime ocorreu e o status das vítimas elevam o alarme contra a “falta” de um programa nacional de segurança pública, como salientam os veículos de imprensa.

Essa situação só vem se agravando, e já colocamos aqui que o presidente Lula seria cobrado, assim como a onda de mortes pelas polícias país a fora seria apenas a ponta do iceberg.

Num Brasil ainda muito polarizado, essa conjuntura de violência é um risco grave para a democracia e o Estado de direito. Só ajuda a manter a pressão sobre o governo, que tem gente competente para tratar da questão, mas precisa ser mais veemente e se esforçar na comunicação para conduzir um debate sensato sobre um problema grave.

Esse apoio, porém, vai depender também de ações que pareçam fazer sentido para a classe média.

Em vez de uma sinuca de bico, a situação pode ser uma oportunidade. 

-----------------------------------------------------

Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

c

Comentários