//TRABALHO// Vagas no PAT exigem experiência e têm salário abaixo da média da região



À primeira vista, as quase 40 vagas oferecidas pelo Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Serra Negra dão a impressão de que o mercado de trabalho está aquecido na cidade e a oferta de emprego é maior do que o número de trabalhadores interessados.

Mas a história não é bem essa. Boa parte das vagas oferecidas não é nova. Estão abertas há algum tempo, à espera de um profissional qualificado para o cargo, o que significa experiência, porque a exigência em relação à educação formal nem é tão rígida. Há poucas ofertas de emprego para quem tem ensino superior.

A maioria dos trabalhadores que se apresenta no PAT de Serra Negra é jovem, com idade média de 18 a 25 anos, com no máximo ensino médio e sem experiência anterior, exigência para quase todas as funções oferecidas.

Vagas para empregada doméstica, camareira, auxiliar de cozinha, serviço geral entre outras dessa categoria, às vezes nem exigem formação escolar. Só mesmo a experiência.

Há vagas que não exigem muito estudo, mas requerem do trabalhador veículo próprio e Carteira Nacional de Habilitação, como é o caso dos cargos de motoboy e motorista movimentador interno.

Outras vagas, como de gerentes e recepcionistas, exigem ensino médio ou fundamental I e II completos. Uma ou outra vaga, como a de nutricionista, exige ensino superior. Mas todas em geral requerem experiência muitas vezes comprovadas em carteira de trabalho.

Por outro lado, os salários oferecidos em geral não excedem o piso da categoria, o que significa pouco mais de R$ 1.212,00, como os balconistas do comércio cujo piso salarial é de R$ 1.475,00. Os salários, no entanto, não são divulgados pelo PAT. 

Boa parte dos salários oferecidos é inferior ao rendimento médio do município, estimado em R$ 1,9 mil, segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), órgão da Secretaria de Governo do Estado de São Paulo.

Outro empecilho para o preenchimento da vaga é a ausência de benefícios, em especial o vale transporte, sem o qual muitos trabalhadores serranos não têm condições financeiras para chegar ao local de trabalho.

Vagas de emprego oferecidas por hotéis e pousadas localizados fora do centro da cidade permanecem às vezes em aberto por maior tempo, porque o trabalhador não tem como se locomover até o local. Muitos acabam desistindo da vaga porque não dispõem de veículo próprio ou por falta de recursos financeiros para custear o transporte.

As vagas oferecidas pelo PAT também não representam o total ofertado pelo mercado de trabalho do município, porque muitas são preenchidas no "boca a boca", em especial as do comércio no Centro. As indicações para as vagas nas lojas e no comércio em geral nesse caso são feitas por pessoas conhecidas dos empregadores.



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