Mal sepultaram o defunto fujão, o governador Tarcísio de Freitas já assumiu que cogita ser candidato a presidente em 2030. Em entrevista a um jornal da Capital, tentou desconversar dizendo que a decisão precisa ser tomada em grupo, mas sinalizou que vai trabalhar para isso.
O anúncio precipitado não espanta ninguém. Se dependesse só da sua vontade e ambição, Tarcísio já teria sido o candidato da direita neste ano.
A iniciativa irritou o bolsonarismo, que a classifica de oportunista, e se torna, antes mesmo do começo da nova gestão, uma armadilha. Qualquer atitude pode ser vista como eleitoreira.
É o caso do seu discurso sobre a política fiscal. O governador critica os “gastos” de Lula, talvez por inveja das realizações sociais do petista.
Ao se aliar ao mercado financeiro, Tarcísio esquece de olhar para seu quintal e soa incoerente. Ao contrário do governo federal, o Estado teve déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões em 2025, colocando em dúvida o rigor fiscal que diz ter.
Mais vergonhosa e pouco republicana é sua política de concessão de benefícios tributários. O TCE apontou que 1% das empresas cadastradas para receber esse tipo de benefício concentra 80% das renúncias fiscais do Estado.
Tarcísio governa para meia dúzia de poderosos e muito ricos. Se fosse ele do PT ou se a imprensa fosse algo sério, essa contabilidade seria tratada como escandalosa.
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Fernando Pesciotta é jornalista, consultor em comunicação e colaborador do Viva! Serra Negra. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

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