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Serra Negra registrou 16 casos de intoxicação exógena, causada pela exposição e interação com substâncias químicas, entre janeiro e abril de 2026. Pelo menos 13 delas foram avaliadas como tentativas de suicídio e apenas três acidentais. Nenhum dos casos resultou em óbito.
A prefeitura está fazendo um trabalho para reduzir esses números, informou a coordenadora da Atenção Básica de Saúde, Cássia Dala Rosa, na reunião mensal de maio do Conselho Municipal de Saúde. A saúde mental, no entanto, é uma das áreas com mais problemas e retrocessos no atendimento no município.
Os dados constam no Relatório de Prestações de Contas das Aplicações do Fundo Municipal de Saúde e Gestão de Saúde. O documento informa ainda entre os agravos ocorridos entre 1º de janeiro e 30 de abril, ocorreram quatro casos de violência contra a mulher, uma agressão sexual e um caso de violência contra criança e adolescente.
Os registros de tentativa de suicídio, segundo especialistas, costumam estar subnotificados, uma vez que as ocorrências nem sempre chegam ao conhecimento da saúde e delegacias de polícia. A intoxicação exógena é uma reação nociva ao organismo em geral provocada por superdosagem de medicamentos, produtos de uso doméstico, como os de limpeza, além de drogas. O relatório não especifica os casos registrados no município.
O aumento de casos de tentativas de suicídio apresenta uma tendência de queda no mundo, mas em países da América Latina, incluindo o Brasil, tem apresentado ligeiro aumento de acordo com informações da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Prevenção nos municípios
A prevenção das tentativas de suicídio nos pequenos municípios, como Serra Negra, deve começar, segundo especialistas, com fortalecimento da rede de apoio na Atenção Primária de Saúde, ou seja, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) por meio de uma estratégia de Saúde da Família com a capacitação de agentes comunitários, médicos, enfermeiros e também da educação para identificar sinais de alerta precoces.
O encaminhamento rápido para profissionais de psicologia e psiquiatria tem de ocorrer por meio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), que em Serra Negra é um dos principais alvos de críticas por parte dos pacientes. Esta semana foi registrada uma denúncia nas redes sociais de paciente que reclamou do tratamento recebido pela profissional especializada em psiquiatria do CAPS.
A assessoria de imprensa da prefeitura ignora os questionamentos encaminhados pela reportagem do Viva! Serra Negra. O paciente, que prefere não se identificar, relata que foi atendido com a porta aberta no CAPS da cidade e que a médica gritava com ele, permitindo quem estava fora da sala ouvir tudo. O paciente argumenta que estava muito mal e que em momento algum agiu de acordo com a forma que a médica o tratou. As perguntas sobre o caso foram enviadas à assessoria de imprensa e se houver respostas serão publicadas.
A informação da Secretaria de Saúde ao Conselho Municipal de Saúde é que há psiquiatra disponíveis no CAPS cinco dias por semana. Um deles recentemente pediu para ser transferido para a área de especialidades e já foi substituído. Mas a própria secretaria admitiu que há menos oferta de profissionais psiquiatras no mercado de trabalho.
Um dos principais e mais antigos serviços de proteção à vida e combate ao suicídio é o Centro de Valorização da Vida, que atende pelo número 188 ou pelo chat no site https://cvv.org.br/. Em situações de emergência, procure o Pronto-Socorro Municipal do Hospital Santa Rosa de Lima ou acione o SAMU (192).
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Salete Silva é jornalista profissional diplomada (ex-Estadão e Gazeta Mercantil) e editora do Viva! Serra Negra

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