Conheci Jaques Wagner no final da década de 1980, quando era repórter e cobria assuntos sindicais. Ele era presidente do Sindicato dos Petroleiros da Bahia.
Eram tempos efervescentes. No Brasil que acabara de sair da maldita ditadura, com a herança horrorosa deixada pelos militares, um país muito mais desigual do que hoje, mas cheio de esperança, o sindicalismo forte se projetava assumindo o poder algum dia.
Já existia o sindicalismo de verdade, lutador, interessado nos direitos e melhorias do trabalhador, e o sindicalismo pelego da Farça Sindical. Paulinho, hoje deputado que ajudou no projeto de anistia aos golpistas, era vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, criador da Farça com Luís Antônio de Medeiros.
Jaques Wagner já chamava atenção por ser jeitoso, politicamente hábil e intelectualmente bem preparado. Carioca de nascimento e já baiano de espírito, se diferenciava também por ser judeu, fato raro no sindicalismo.
Teve uma carreira política brilhante. Sua primeira vitória na disputa pelo governo da Bahia foi histórica e marcou a abertura para o avanço de gestões progressistas no Nordeste, até então marcado pelo coronelismo.
Dito tudo isso, não se pode passar pano, como têm dito lideranças do PT. As investigações estão seguindo, mas Wagner não tinha o direito de atrapalhar a trajetória do presidente Lula, e contraditoriamente demonstrando tanto amadorismo e falta de jeito.
Num momento desse, com tudo o que está acontecendo, como se deixa flagrar com tanta moeda estrangeira em casa? Está longe de ser o caso, mas lembra a ação de quintas-colunas.
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Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

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