//FERNANDO PESCIOTTA// Desafio irresponsável



O Senado presidido por Davi Alcolumbre ignorou o bom-senso, a responsabilidade fiscal, a Constituição e uma negociação com o governo ao avançar com pautas-bomba que trarão custos de R$ 215 bilhões aos cofres públicos.

O projeto de maior impacto é a renegociação de dívidas rurais, aprovada pelo plenário da Casa.

Mas a CCJ avançou com a PEC que cria aposentadoria especial para agentes de saúde, o que deve provocar um rombo de R$ 30 bilhões, e a Comissão de Assuntos Sociais aprovou o PL que aumenta o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas para R$ 13,6 mil para jornada de 20 horas semanais.

Não se trata de avaliar o mérito de tais medidas – embora algumas consistam em criar privilégios –, mas a conjuntura em que elas são colocadas. Claramente oportunistas e com nítido objetivo de expor o governo em situação difícil do ponto de vista orçamentário. Portanto, são calhordas.

Como se não bastassem, o Senado também avança com a proposta de sua excelência Hamilton Mourão, de triste memória e presença, que dificulta o acesso dos mais pobres à Justiça.

Por outro lado, Alcolumbre segura a discussão sobre a redução da escala 6X1 e até aceitou colocar na pauta a escala 7X0.

Na questão fiscal, o STF já sinaliza a possibilidade lógica de declarar sua inconstitucionalidade, mas fica muito evidente, mais uma vez, o triste capítulo vivido por essa legislatura. 

--------------------

Fernando Pesciotta é jornalista e consultor em comunicação. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

Comentários