//FERNANDO PESCIOTTA// Viés eleitoral



Muito tem se falado sobre a questão fiscal brasileira. É a velha história de que governos petistas “gastam” demais. O chororô é recorrente na Faria Lima, o mercado financeiro.

Até Simone Tebet entrou nessa. Ex-ministra do Planejamento e responsável, portanto, pelo Orçamento da União, ela sugere que o presidente Lula coloque a perspectiva de reforma fiscal no debate eleitoral.

Alguns analistas dizem que parte dos banqueiros já precificou a vitória de Lula. Isso significa que já estão cobrando a fatura, mas vão pressionar para que o governo gaste menos.

Pois até o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defensor do arcabouço fiscal, assegura que o governo não está gastando mais do que arrecada e que não há descontrole orçamentário. Segundo ele, onde pode haver algum sinal de alerta é nos juros altos, que fazem o Tesouro desembolsar mais para sustentar o capital captado no mercado diariamente.

Durigan ainda lembra que a gestão Lula herdou um quadro calamitoso, com déficit fiscal monstruoso, de 2% do PIB, e hoje tem o conforto de caminhar para superávit.

Esse equilíbrio é relativo às metas fiscais definidas pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, que excluem despesas como o pagamento dos precatórios judiciais. E é muito provável que essa meta seja alcançada. O resto é ladainha eleitoral.

---------------

Fernando Pesciotta é jornalista, consultor em comunicação e colaborador do Viva! Serra Negra. Contato: fernandopaulopesciotta@gmail.com

Comentários